Circular e colaborar é preciso

Grupos de teatro locais procuram formas de extrapolar fronteiras através de programas como o Intercena e o Platô

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Tête-à-tête. Cássio Pinheiro, coordenador do FIT, diz que os convidados acharam o encontro superpositivo
GUTO MUNIZ/DIVULGAÇAO
Tête-à-tête. Cássio Pinheiro, coordenador do FIT, diz que os convidados acharam o encontro superpositivo

Chegou ao fim, na sexta, o Intercena, a plataforma de internacionalização do teatro mineiro lançada pelo FIT-BH, que trouxe à cidade programadores de festivais de países como Argentina, Bolívia, Uruguai, Espanha, Cuba e França. Eles se encontraram com cerca de 40 grupos locais para conversar sobre a possibilidade de circulação de espetáculos, mas perspectivas concretas que se abrem a partir dessa iniciativa ainda não podem ser mensuradas. “Também estou com essa angústia. Vamos tentar, através da rede de festivais, manter o contato para ter essa resposta para a cidade”, diz Cássio Pinheiro, coordenador do FIT-BH. Segundo ele, os convidados estrangeiros consideraram o encontro “superpositivo”. “Não só assistir ao espetáculos, mas o tête-à-tête de forma descontraída”, relata. “Estamos conversando agora sobre formas de colaboração entre festivais para viabilizar o intercâmbio maior seja dos saberes da cultura, seja na parte de produção”.  Criador do solo “Get Out”, o ator Assis Benevenuto, do grupo Quatroloscinco, foi um dos presentes no Intercena. “A gente já tinha feito uma participação nesse tipo de evento no FIT passado. Não dá para saber se é funcional ou não. Tem que esperar e ver se surte algum efeito”, diz. “Esse acesso é muito importante, se não, a gente nunca conversaria com essas pessoas, mas a gente tem que saber o que está fazendo e para que serve, não ficar achando que vai entrar em um superfestival, o que são pouquíssimas pessoas que conseguem”, completa. O diretor Daniel Toledo também participou com “Fábrica de Nuvens” e avalia que, mais importante do que uma suposta garantia de circulação, são as resposta de quem viu o espetáculo. “A conversa com esses curadores foi bem interessante pois trouxe questões relativamente novas, além de proporcionar uma visão mais ampla desse tal mercado internacional. Uma curadora argentina disse, por exemplo, que o espetáculo se aproxima de algo que tem circulado muito pelos Estados Unidos. Coisa que eu jamais imaginava”. Na reunião final entre os programadores, um dos temas abordados pelo coordenador do FIT foi a alta carga tributária de despesas aduaneiras paga no Brasil para se trazer um grupo de outro país. O próximo passo do Intercena é assinar uma carta de intenção de intercâmbio cultural com Alemanha, França, Uruguai, Cuba e Espanha. “A partir daí, tem que ser celebrado um convênio e, a partir do convênio, vamos avaliar qual o mecanismo legal de fomento a essa circulação”, diz Pinheiro. Platô. As ações para fazer com que o mineiro atravesse fronteiras vão além do FIT-BH. Marcelo Bones, diretor artístico da edição passada, está em Mar del Plata, na Argentina, para participar do MICSur – Mercado da Indústrias Criativas do Mercosul, que se encerra hoje. Ele representa a Platô – Plataforma de Internacionalização do Teatro, criada em novembro do ano passado, a partir da experiência de Bones como consultor e programador de festivais. “Vários grupos me procuravam para pedir apoio para a participação em festivais internacionais. Propus então reunir alguns e, através de um ‘consórcio’, criamos juntos algumas ações de internacionalização”, conta. Nessa agremiação, estão a Cia. Luna Lunera, o Teatro Andante, o Espanca! e o Teatro Invertido. Cada grupo dispõe dois espetáculos para a plataforma. “Desde então, aproveito minhas viagens aos festivais para difundir a Platô. Já estivemos no Fiba – Festival Internacional de Buenos Aires; numa rodada de negócios internacionais do Tempo – Festival do Rio de Janeiro; na semana de programadores do Festival Santiago a Mil, do Chile, na Rodada de Negócios do Festival de Porto Alegre; na VIA – Ventana Internacional das Artes do Festival Iberoamericano de Bogotá e agora no MICSur”, diz Bones.  Além disso, ele se reuniu com as secretarias de cultura do município, do Estado e com a Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura em busca de apoios. “Neste momento, estamos criando relações com os programadores internacionais e propondo os espetáculos dos quatro grupos separadamente e também uma Mostra Platô com um espetáculo de cada grupo. Todas as circulações estão ainda sendo discutidas e nenhuma está 100% fechada. Mas temos bons encaminhamentos”, conta.

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