Polêmicas sobre a programação do FIT-BH

Sem investimento de outros países, espetáculos internacionais “Memória em Tempos Líquidos” e “La Cena” foram criados por artistas estrangeiros que vivem em BH

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

A atriz italiana Anita Mosca de “La Cena” reside há três anos em Belo Horizonte
Divulgação
A atriz italiana Anita Mosca de “La Cena” reside há três anos em Belo Horizonte
A programação internacional do FIT-BH vem sendo alvo de polêmica pela inclusão dos espetáculos “Memória em Tempos Líquidos” e “La Cena”, criados por artistas estrangeiras que vivem em Belo Horizonte e aqui estrearam esses trabalhos no ano passado, como coproduções internacionais, embora não tenham investimento de outros países na criação.    No caso de “La Cena”, a atriz italiana Anita Mosca reside há três anos em Belo Horizonte, onde realiza uma investigação dramatúrgica sobre as condições das mulheres nas favelas, com foco no Alto Vera Cruz. Ela estranha o questionamento sobre estar entre os internacionais. “É um espetáculo de autoria original minha, conta a trajetória de 20 anos de teatro de uma atriz e mistura elementos biográficos e internacionais. Tem algumas cenas na minha língua materna, o napolitano, que são legendadas. A minha proposta é um pouco híbrida, não deixa de ser uma identidade em trânsito”, diz Anita.   Outro caso é o da atriz uruguaia Jimena Castiglione, que tem substituído a atriz Inês Peixoto em “Os Gigantes da Montanha”, do Grupo Galpão, enquanto Inês grava novela “Meu Pedacinho de Chão”, da Globo. Jimena vive em BH e inscreveu “Memória em Tempo Líquido” na seleção de espetáculos locais, mas foi convidada pelo FIT para integrar a grade internacional, o que “não se justifica”, diz ela.    A atriz procurou o consulado uruguaio para solicitar apoio (em forma de passagens aéreas) a curta temporada em Montevideo, para a qual foi convidada. “O FIT nos ofereceu bancar as nossas passagens e desta forma coproduzir a nossa circulação em Uruguai”, afirma. “Na reunião (com o FIT) a gente falou que não seria bom estar como internacional porque não era a nossa realidade, aí o Cassio (Pinheiro, coordenador) nos esclareceu que seria dentro desse projeto especial chamado Intercena (leia abaixo). A partir daí a gente entendeu que se justificava aparecer como coprodução internacional já que teríamos o apoio financeiro do FIT para levar a peça a Montevidéu”, explica Jimena.   O coordenador do FIT argumenta as inclusões com o fato de a contratação de Anita ter seguido trâmites internacionais, como a obtenção de visto de trabalho. Quanto a Jimena, diz que “o poder público tem que saber olhar para a sociedade”. “Se ela já faz uma produção de intercâmbio, por que não o poder público dar seu apoio e valorizar isso?”, indaga. Contudo, Pinheiro nega que o FIT, por meio da Fundação Municipal de Cultura, tenha feito um acordo prévio de apoio. “Qualquer ação institucional tem que estar sustentada em documentos. Vamos assinar com a intendência de Montevideo um protocolo de intenções, que vai gerar um convênio”, diz. “Não há predisposição, vão ser analisados o caso dela e de qualquer outro que se apresentar”, diz o coordenador.

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