Em terras férteis

Versátil, cenário cultural alemão estimula artistas por meio de incentivos; conheça os novos talentos artísticos da seleção cultural da Alemanha

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Seleção cultural alemã. Conheça os novos talentos artísticos da Alemanha
Seleção cultural alemã. Conheça os novos talentos artísticos da Alemanha
A Segunda Guerra Mundial causou grandes repercussões, diretas ou não, em muitos países do mundo. Na Alemanha essas reverberações rearranjaram o país, que teve que seguir pré-requisitos para ser novamente aceito na comunidade global. Um deles foi o de evitar manifestações culturais de cunho nacionalista. Por isso, a soberania cultural ficou a cargo dos Estados do país até 1999, quando foi instituído um ministro de Estado para Questões Culturais e Mídia.   Esse quadro influenciou no desenvolvimento das expressões artísticas recentes do país de ícones como Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e Ludwig van Beethoven (1770-1827). “As atividades culturais na Alemanha são locais. Com isso digo que há artistas que marcam presença no cenário nacional, mas em cada região há nomes que têm uma certa fama regional”, afirma o mestrando em linguística de línguas estrangeiras e autor do blog www.culturalema.wordpress.com, Egnaldo Oliveira.   Para Oliveira, artistas na Alemanha usufruem de grande incentivo, por meio de bolsas e prêmios que estimulam e movimentam o cenário. “Atividades culturais são parte da vida dos alemães, que também promovem muitos eventos em pequenos grupos ou associações. Um fator relevante é que muitos deles são gratuitos, ou não se paga muito para ver um bom filme ou peça”, relata.   O incentivo é constatado também no âmbito do cinema pela curadora do Indie Festival, Francesca Azzi. “Há muito estímulo à produção de cinema no país. Por isso, cineastas do mundo inteiro estão indo para lá para co-produzir filmes. Isso gera um grande mercado. Um exemplo é o Karim (Aïnouz) que filmou ‘Praia do Futuro’ (em cartaz no cinemas) lá”, afirma.   O segmento literário também passa por um momento frutífero. Segundo o professor de alemão e de literatura comparada da Faculdade de Letras UFMG Volker Jaeckel, há um grande número de bons escritores em plena atividade no país. Entre eles Berhard Schlink, autor de “O Leitor”, e Pascal Mercier, de “Trem Noturno para Lisboa”. Ambos ganharam adaptações para o cinema, inclusive.   “A imigração nas cidades foi um dos assuntos tratados pela literatura alemã por muito tempo. Depois da reunificação da Alemanha em 1990, as produções ganharam muita força com novos autores e um novo estilo surgiu, mais leve e acessível”, analisa o professor.   O cenário musical atual, de acordo com o apresentador e produtor do programa de rádio “Invasões Bárbaras” (UFMG Educativa), Igor Costolli, é eclético. “O idioma alemão tem pronúncias muito fortes e por isso são associadas a músicas mais pesadas. Até existe, um exemplo é a banda Rammstein, mas há também um presença de uma música eletrônica de qualidade e um vasto cenário de dancehall, bem representado por Nosliw e Seeed”, afirma. Esta se apresenta no próximo dia 24, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, como parte das atividades do programa Brasil + Alemanha 2013-2014. 

SELEÇÃO ALEMÃ  

  • / MÚSICA
  • Lena Meyer-Landrut Vencedora de 2010 do Eurovision Song Contest, festival europeu de novos talentos, a cantora pop tem uma voz marcante e é bem aceita pelo público jovem alemão. Sua música “Satellite” ficou 41 semanas em primeiro lugar no país. Wir Sind Helden A banda de rock alternativo representa a Escola de Hamburgo, movimento musical alemão que promove o rock cantado na língua nativa do país. Com uma discografia composta por quatro álbuns, a banda é fortemente representada pela vocalista Judith Holofernes. Nosliw Apesar de ter começado como rapper nos anos de 1990, o cantor é reconhecido hoje por sua performance por sua músicas de dancehall, estilo musical similar ao reggae.  

  • / CINEMA
  • Fatih Akin Akin tem suas obras marcadas pelas relações entre alemães e turcos e também mostra a realidade das grandes cidades alemãs, que têm sido construídas por meio da presença de estrangeiros. Em 2007, venceu o prêmio em Cannes pelo roteiro de “Do Outro Lado”. Christian Petzold Com trabalhos para a TV e para o cinema, este cineasta vem chamando a atenção com seus filmes. Em 2012, venceu o prêmio de melhor diretor no Festival Internacional de Berlim por “Barbara”. O longa mostra os desafios de uma pediatra que, em 1980, tenta fugir para o lado oriental da cidade. Hans-Christian Schmid Apesar de assinar alguns documentários, foram os longas “Crazy” e “Requiem” que chamaram atenção da crítica e dos espectadores. Seu último filme, “O que Permanece”, de 2012, foi indicado ao Urso de Ouro e venceu o prêmio da Associação de Críticos da Alemanha.  

  • / LITERATURA
  • Juli Zeh Seu primeiro romance, “Adler und Engel”, foi traduzido para 31 idiomas, mas não chegou ao Brasil. Por aqui é possível encontrar “A Menina Sem Qualidades” e “Juncos”, ambos publicados pela editora Record. Seus trabalhos, usualmente, exploram a linha entre o caos e a ordem. Daniel Kehlmann É um dos autores da Alemanha mais festejados atualmente. Além de ter vencido os prêmios literários Heinrich von Kleist, Thoman Mann e da Fundação Konrad Adenauer, soma grande vendagem de livros. No Brasil, teve seus livros “Fama” e “A Medida do Mundo” publicados pela Companhia das Letras. Julia Franck Jornalista com experiência em jornais e revistas de Berlim, Julia estreou no mundo literário com “Der Neue Knoch” em 1997. Desde então, lançou outras seis obras que lhe renderam boas críticas e o prêmio German Book Prize. Seus livros foram traduzidas para 35 línguas, incluindo o português brasileiro. “A Mulher do Meio-dia” foi lançado pela Nova Fronteira.

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