Largando as raízes

Artistas franceses atuais trilham por caminhos desprendidos do passado; conheça os novos talentos artísticos da seleção cultural da França

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Seleção cultural francesa. Conheça os novos talentos artísticos da França
Seleção cultural francesa. Conheça os novos talentos artísticos da França
Selecionar artistas da França que se destacam no cenário atual foi um grande desafio. O país, mesmo passando por um período de reinvenção artística, continua apresentando um grande volume de sumidades nas mais diversas expressões.    A área musical, ao contrário do que se vê fora dos limites do hexágono, não é mais regida por cantores de “chanson” (termo que significa música em francês, mas também é utilizado para designar a típica música popular da França). “Há muitos shows na cidade, mas não necessariamente das típicas músicas francesas. O cenário de rap, por exemplo, é muito forte e conta com vários rappers na capital”, comenta a DJ residente em Paris e autora do blog "Sob o céu de paris", Gabriela Mudado.   A pesquisadora, porém, afirma que a cena “chanson” é ainda muito viva, principalmente depois da década de 1990, com o advento da Nouvelle Scène Française, movimento que retoma e transforma o renomado estilo. “Benjamin Biolay e Coralie Clément são alguns dos cantores dessa nova leva. Eles desempenham um papel parecido ao de Tiê, do Jeneci e outros novos nomes da MPB no Brasil hoje”, compara.   O cinema, por sua vez, continua produzindo obras independentes celebradas por todo o mundo. “Nota-se uma nova geração de cineastas, produtores e atores do cinema francês (sempre assombrado pela importância da ‘Nouvelle Vague’), com audácia e inventividade, o que abre portas para uma nova via que tenta quebrar com o conformismo da produção cinematográfica francesa atual”, comenta a professora do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UNB, Junia Barreto.    Tal posicionamento tem movimentado o mercado. “O cinema francês passa por um momento comercial muito bom, devido às comédias e à eficaz inserção dos filmes em outros mercados”, afirma a curadora do Indie Festival, Francesca Azzi, que justifica: “Eles têm a Unifrance, um órgão muito forte que divulga o cinema do país para o resto do mundo”.   O cenário literário ficcional de hoje, por outro lado, não tem grande inserção no Brasil. “Existe muita coisa boa sendo feita e mesmo aquelas obras escritas numa contemporaneidade já mais tardia (meados do século XX) ainda permanecem totalmente desconhecidas do público brasileiro, diante do desinteresse de nossas editoras em traduzir obras, quando não se trata de um best -seller”, opina Junia.   Mas assim como o cinema, a literatura segue por novos caminhos, segundo Junia, mais singular e marginal que outrora. “Há uma proliferação de autores, em geral menos compromissados com a obrigação do moderno, do novo ou da experimentação estilística e mais interessados na representação” diz a professora.  

SELEÇÃO FRANCESA

 

  • / MÚSICA
  • Vincent Delerm Desde a década de 1990, novos cantores participaram do movimento de retomada das típicas músicas francesas chamado de “Nouvelle Scène Française” (“nova cena francesa”, em tradução livre). Assim, as populares “chansons” foram revisitadas. Vicent Delerm é um dos cantores que representam essa geração. Merzhin Sob a influência da música celta, a banda tornou-se bastante conhecida na França, porém tem pouco reconhecimento fora do país. Entre as músicas de seus seis álbuns lançados, um dos maiores sucessos é “Par dela”. Mc Solaar Se hoje o cenário do rap em Paris é forte, é porque artistas como MC Solaar fazem um notável trabalho. Natural do Senegal, o rapper foi criado na França. Seu último disco foi lançado em 2007 e chama-se “Chapitre”.  

  • / CINEMA
  • Valérie Donzelli Depois de participar de dezenas de filmes como atriz, Valérie resolveu em 2009 estrear atrás das câmeras como diretora. Seu primeiro longa, “La Reine des Pommes” foi pouco falado no Brasil. Por aqui sua obra mais conhecida é a “Guerra Está Declarada”, que mostra o drama de um jovem casal ao descobrir que o filho recém-nascido tem um tumor no cérebro.

  • / LITERATURA
  • Agnès Desarthe Começou como tradutora, mas logo que publicou seu primeiro romance “Quelques Minutes de Bohheur Absolu” não saiu da produção literária. Suas obras foram transcritas para outras 15 línguas, mas no Brasil não há publicações traduzidas. É possível, no entanto, conseguir exemplares em francês e inglês. Philippe Vasset Antes de se enveredar para literatura, Philippe foi detetive nos Estados Unidos e editor da revista focada em inteligência industrial “Africa Energy Intelligence”. Sua trajetória contribui para escrever romances investigativos, dos quais nenhum foi publicado no Brasil. Um de seus sucessos é “Un Livre Blanc”. Emmanuel Tugny Considerado um dos jovens expoentes da literatura na França, o diplomata, escritor e músico Emmanuel já lançou mais de 30 obras, entre romances e discos. E, apesar de viver no Brasil, tem publicado apenas dois livros no país: “Morrer como Corbière” e “Ágata Noturna”, pela editora Sulina.

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