Desejo constante de criar

Há sete anos no comando do programa da Band, apresentador destaca liberdade que a emissora lhe permite

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Em casa. Mesmo revelando que pode deixar o “CQC”, Marcelo Tas afirma que se encontrou na Bandeirantes
Luiza Dantas/CZN
Em casa. Mesmo revelando que pode deixar o “CQC”, Marcelo Tas afirma que se encontrou na Bandeirantes

Sair da zona de conforto é sempre uma meta para Marcelo Tas. Workaholic assumido, o apresentador baseou boa parte de sua carreira em projetos de risco, desde sua estreia no vídeo, com o anárquico “Comando da Madrugada”, exibido pela TV Gazeta, em 1983. Hoje, aos 54 anos, Tas começa a se preparar para uma nova fase. Após sete anos à frente do “CQC”, da Band, ele já pensa em se despedir do programa para voltar a desenvolver seus projetos autorais. “Nada é para sempre. Eu adoro o ‘CQC’, é um programa que me instiga. Mas assim como ele precisa de uma natural renovação, eu também preciso fazer outras coisas”, ressalta, deixando em aberto se 2014 é ou não seu último ano na bancada do jornalístico carregado de humor. “Tenho muitas ideias e não consigo fazer muita coisas com o ‘CQC’ no ar. É preciso ter dedicação”. Natural de Ituverava, interior de São Paulo, o primeiro contato de Tas com a TV foi a partir da produtora de vídeo independente Olhar Eletrônico – onde também começaram os cineastas Fernando Meirelles e Toniko Melo. Foi lá que nasceu o “Comando da Madrugada” e uma das principais criações de Tas: Ernesto Varela, repórter fictício que satirizava os políticos da época. Nos anos seguintes, ele acumulou trabalhos em emissoras como a extinta Manchete, Globo, MTV e Band. “Na Band, eu me encontrei. Gosto da liberdade que tenho aqui e quero desenvolver outros projetos na casa”, avisa. A temporada 2014 do “CQC” está mais ácida e provocativa. É um artifício para reverter a baixa repercussão do ano passado? Tem uma coisa no “CQC” que é sempre bom lembrar. A gente estreou em 2008 com todas as dificuldades do mundo: os repórteres não eram conhecidos, o formato era novo e a Band não tinha nenhuma tradição nas noites de segunda. Ao longo do tempo, a gente foi subindo cada degrau, conquistando a audiência e, consequentemente, novos anunciantes. A única exceção dessa história é 2013. Mas não foi só a gente que não cresceu, a TV aberta caiu como um todo. A televisão hoje passa por mais um momento riquíssimo e gravíssimo. Quem não entender isso, vai escorregar ladeira a baixo. Que momento é esse? Todo executivo de televisão tem receio da palavra internet. E afirma que ela está roubando a audiência e que é preciso compreender os mecanismos da interatividade para trazer o público de volta para a TV. Mas acho que, atualmente, a mudança é dentro de espectador. É o que aconteceu dentro de nós. Hoje em dia, de qualquer lugar, a gente pode transmitir, compartilhar e criticar tudo. Esse poder tirou o público de um estágio passivo. Você recebe convites para trocar de emissora, certo? Alguns. Basta analisar minha carreira para saber que eu não sou do tipo que fica fazendo a mesma coisa por tanto tempo. Antes do “CQC”, a primeira vez que fiquei um período tão longo em um programa foi no “Vitrine”, da TV Cultura de São Paulo, no qual fiquei por seis anos. Era o meu recorde! Hoje, estou no meu sétimo ano de “CQC”. Tenho um monte de planos e ideias para futuros projetos na televisão. E não consigo botar muito em prática por causa do “CQC”. Isso quer dizer que você planeja deixar a bancada em breve? Pode ser. Não tenho certeza em relação a isso. Mas nada é para sempre. Ainda sinto tesão em estar à frente do “CQC”, mas acho que uma hora essa renovação terá de ocorrer. Eu sempre fiz coisas autorais na TV e sinto falta disso. Juntando essa vontade e a renovação natural do programa, acho que está chegando a hora de sair.

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