Dilma: “Este país vai endoidar com a Copa”

iG Minas Gerais |

Dilma Rousseff recebeu jornalistas na noite de anteontem no Alvorada
Roberto Stuckert Filho / PR
Dilma Rousseff recebeu jornalistas na noite de anteontem no Alvorada

A presidente da República, Dilma Rousseff, defende as manifestações durante a Copa – desde que sejam pacíficas e que não prejudiquem a competição –, admite atrasos nas obras de infraestrutura, nega excesso de gastos públicos e, sobretudo, faz uma defesa “entusiasmada” do sucesso do Mundial, dentro e fora de campo: “Este pais vai endoidar com a Copa, e o Brasil vai vencê-la”. As declarações foram feitas durante um jantar com colunistas e jornalistas esportivos de jornais e TV, realizado na noite dessa quinta, no Palácio da Alvorada.

Segundo relato dos participantes, Dilma reafirmou sua confiança e disse que, durante o Mundial, as manifestações serão aceitas, mas não poderão prejudicar a realização do evento esportivo nem interromper o trânsito das delegações. “Tem um limite”. Dilma admitiu que nem todas as obras de infraestrutura estarão prontas até o dia 12. Mas considerou que o evento foi a maneira de “impulsionar” essas melhorias.

A presidente fez ainda um apelo a todos os brasileiros para que recebam bem os turistas brasileiros e estrangeiros. “O que eles podem levar na mala? É a garantia e a certeza de que este é um país alegre e hospitaleiro. Podem levar isso na mala. Agora, os aeroportos ficam para nós, as obras de mobilidade ficam para nós, os estádios ficam para nós”.

De acordo com o colunista Juca Kfouri, do site UOL Esporte, a presidente fez questão de tentar se desvincular da imagem da Fifa, no que se refere às obras nas cidades-sede. “Tirem o Blatter e o Valcke das minhas costas. Não tem nada a ver com a Copa. São obras para as cidades”, afirmou Dilma, quando o assunto era a necessidade de ampliação da rede de metrô nas grandes cidades e ela foi questionada se algumas dessas intervenções só foram realizadas por causa da Copa.

Ainda segundo Kfouri, um dos presentes no jantar perguntou se os dois dirigentes da Fifa são um peso para o governo brasileiro. “Ô, se são”, teria respondido Dilma Rousseff.

A presidente falou também que está preocupada com o futebol brasileiro e deixou a entender que vê com bons olhos uma liga brasileira formada pelos clubes.

Manifestações A presidente Dilma Rousseff admitiu que os protestos do ano passado, durante a Copa das Confederações, surpreenderam o governo. Para este ano, no entanto, ela disse que as autoridades estarão mais atentas. “Agora, a preparação é outra para lidar com as manifestações. Ninguém será reprimido, mas não permitiremos qualquer ação que ponha em risco as delegações, os chefes de Estado e os estádios da Copa”, afirmou a presidente.

Futebol Relatos de jornalistas que participaram do jantar com Dilma dão conta de que ela se mostrou interessada na situação atual do futebol brasileiro, sobre presidentes de confederação e federações estaduais se perpetuando nos cargos e no endividamento dos clubes. Ela quer soluções “para que o futebol e o esporte em geral tornem-se mais atrativos para o povo e os patrocinadores dos eventos”. Quer também ouvir o movimento Bom Senso FC.

Passado Presente ao encontro, o colunista Juca Kfouri disse que Dilma não revelou constrangimento por ter de se encontrar com José Maria Marin, que elogiou o delegado Sérgio Paranhos Fleury, acusado de torturar o ex-marido da presidente, Carlos Araújo. “Por que citar o Carlos? Torturou a mim. Sabe o que eu sinto? Não sou eu quem tem de justificar nenhuma barbaridade para minha filha ou para meu neto. São eles que têm. Porque nós ganhamos”.

Futuro A presidente afirmou também não acreditar que o desempenho da seleção brasileira na Copa vá atrapalhar ou ajudar na sua reeleição. Sobre sua campanha, Dilma disse aos jornalistas esportivos que não projeta vitória no primeiro turno. “Porque, se pensamos assim e vamos para o segundo turno, já seria uma derrota”. Ela disse também que tem uma relação especial com o ex-presidente Lula e que ele nunca teria falado sobre se candidatar.

 

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