Tempo de volta

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Alguns anos atrás comprei um livro (“Do You Remember the First Time?” – Jenny Colgan) em que o sonho da protagonista, uma mulher de 32 anos, era poder voltar aos 16. Tanto quis que acabou conseguindo. Ao se dar conta de que tinha de novo a idade desejada, o primeiro susto que ela tomou foi com a própria aparência. Apesar de adorar ter de novo pernas bem torneadas e sem nenhum sinal de celulite, descobriu que seu cabelo estava o mesmo caos que era na adolescência, quando chapinhas ainda não haviam sido inventadas. Em seguida, se deu conta de que não tinha mais dinheiro, de que precisava pedir permissão aos pais para sair e – o pior, segundo ela – de que era obrigada a ir à escola. Alguns filmes também possuem essa temática. Um deles é “17 Outra Vez”. Nele, Mike O’Donnell, um jovem com um futuro promissor no basquete, acaba abandonando o esporte para se casar com a namorada grávida. Mas com isso ele acaba virando um adulto frustrado, que constantemente pensa sobre a oportunidade que perdeu e em como sua vida poderia ter sido. Um dia ele volta à escola para relembrar e acaba retornando aos 17 anos. Só que ele acaba por perceber que certas coisas são insubstituíveis. Tanto no livro quanto no filme, o que mais me chamou a atenção nas histórias é que os protagonistas voltaram no tempo apenas exteriormente. A cabeça continuou a mesma. Assim, eu também adoraria voltar à minha adolescência! Naquela época, eu era ainda mais tímida do que sou hoje. Só que a diferença é que agora eu empurro a timidez para um canto e não deixo que ela me impeça de ser feliz. Na adolescência, eu pedia para o meu pai me deixar a dois quarteirões do colégio, para não ter que ser vista na presença dele. Atualmente, eu acho uma honra desfilar com um pai tão bacana ao meu lado. Aos 16, eu tinha paixões platônicas, escrevia cartas, músicas e poesias para os meus amores inventados. Hoje, o único que merece minhas palavras é o meu amor real. Se pudesse voltar no tempo sabendo o que agora eu sei, ninguém me seguraria. Eu seria a mais bonita da sala, a mais popular, a mais amiga e – claro – a mais modesta. Eu saberia exatamente que vestibular fazer, que roupa vestir, o que eu não deveria comer e quem mereceria a minha atenção. Infelizmente a vida não é assim. Os anos que me separam daquela idade foram fundamentais para que eu me tornasse a pessoa que hoje sou. Eu não gostaria de voltar para os meus 16. Gostaria, sim, de poder assistir à minha adolescência de camarote e rir daquela menina que eu era, que achava que sabia de tudo. No livro, a protagonista chega à conclusão de que aquele corpo lisinho e a liberdade de poder ser irresponsável não compensavam a falta de tudo o que ela já tinha conquistado na vida. Concordo com ela. Acho que eu até me saí bem durante o tempo em que já vivi. Só espero que daqui em diante eu aprenda ainda mais. Para que, em alguns anos, ao reler essa crônica, eu possa rir dessa menina que eu ainda sou, crente que já sei da vida o suficiente, e não sinta a menor vontade de voltar no tempo...

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