Copa do Mundo e eleições trazem desânimo a lojistas

Cenário não é promissor porque setor teme protestos por causa do Mundial e mais prejuízos

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Vandalismo. Na Copa das Confederações, em 2013, lojas da avenida Antônio Carlos foram atacadas por vândalos durante manifestações
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Vandalismo. Na Copa das Confederações, em 2013, lojas da avenida Antônio Carlos foram atacadas por vândalos durante manifestações

Cenário econômico desfavorável, protestos que estão acontecendo desde o ano passado e podem se intensificar com a Copa do Mundo e dias parados total ou parcialmente em função dos jogos no Mineirão ou da seleção brasileira. Esse conjunto de fatores está deixando os comerciantes de Belo Horizonte preocupados com os resultados de vendas do ano. “Não é simples para o empresário. Ele pode apostar em bom atendimento, promoções, mas não pode mudar o cenário econômico”, diz o economista da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriel de Andrade Ivo.  

Ele explica que a expectativa para este ano é de empatar com o resultado do ano passado, quando o comércio cresceu cerca de 2%. E o pior: para 2015, o cenário não deve melhorar. “Este ano, por ser eleitoral, o governo está segurando o aumento de alguns preços administrados, e esses reajustes vão ficar para o ano que vem”, afirma. Ivo acrescenta que em um cenário hipotético e ideal, sem manifestações, a Copa do Mundo seria um período promissor para vendas, porque o grande número de pessoas circulando na cidade vai aumentar. “Esse fluxo é muito positivo”, diz.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL–BH), Bruno Falci, enumera, entre os problemas para alavancar vendas, as altas taxas de juros, a renda do trabalhador que é corroída pela inflação e já está comprometida em grande parte com gastos e o clima de insegurança. “Hoje, quem viria ao centro para fazer compras? Com essa onda de protestos, a qualquer momento podem fechar uma avenida, um viaduto, uma praça”, diz.

Ele acrescenta que é a favor dos protestos, mas eles têm que ser “de forma ordeira”. Segundo estimativa da CDL-BH, a cada feriado ou dia que o comércio não funciona, a perda em vendas é de R$ 76 milhões.

Nessa quinta, várias lojas do centro de Belo Horizonte fecharam as portas antes da hora normal em razão de um protesto com concentração na praça Sete. O gerente da sapataria Americana, na avenida Afonso Pena, Roberto Vieira, diz que a cada manifestação as vendas caem. “O consumidor não quer vir para o centro”, diz.

De acordo com ele, o movimento neste ano é “regular”, e a loja ainda não decidiu como será o expediente em dias de jogos da Copa.

Em dias de partidas não haverá feriado em Belo Horizonte. Os funcionários públicos poderão ser liberados três horas antes dos jogos no Mineirão ou da Seleção em outras cidades, e cinco horas antes se a Seleção jogar no Mineirão. Na iniciativa privada, cada empresa decide seu horário.

Menos crédito

Freio. A demanda do consumidor brasileiro por crédito caiu 11% em abril na comparação com o mesmo período de 2013. Segundo a Serasa, crediário caro e a inflação influenciaram.

Mundial não elevará o PIB

A agência de notícias “Reuters” fez uma pesquisa sobre o impacto da Copa do Mundo na economia brasileira. A organização concluiu que haverá avanço modesto, de somente 0,2% do Produto Interno Bruto. A previsão do governo é de que a economia cresça 1,7% em 2014. A pesquisa ouviu 116 economistas de todo o planeta.

Último trimestre foi o pior para comerciantes de BH em 5 anos O ano não começou bem para o comércio de Belo Horizonte. De acordo com a CDL-BH, o primeiro trimestre foi o pior desde 2009, com crescimento de apenas 2,08%. O desempenho de março foi ainda mais desanimador, com queda de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O percentual de retração é o mesmo apurado pelo IBGE no país para o mesmo período. “Com o poder de compra enfraquecido, os consumidores acabaram reduzindo o nível de consumo”, avalia o presidente da CDL-BH, Bruno Falci. O setor de supermercados foi o que teve o melhor desempenho no trimestre (4,04%) e também o único que cresceu em março (0,12%).

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