Nobre resgate histórico

Design sofisticado, curvas sinuosas e acabamento impecável marcam as criações

iG Minas Gerais | Da redação |

Banco Prisma, assinado pelo designer Zanini de Zanine, é 100% de seringueira em sua base e assento
VICTOR AFFARO/ Divulgação
Banco Prisma, assinado pelo designer Zanini de Zanine, é 100% de seringueira em sua base e assento
“Explorar o material de várias maneiras para descobrir suas possibilidades”. A frase do designer Paulo Alves, que está à frente da iniciativa, traduz um dos principais motes do Projeto Seringueira, em que cada profissional valoriza a matéria-prima brasileira e se debruça diante dela para criar diferentes peças de design.    Além de ser admirador de madeiras, o designer Fernando Jaeger decidiu participar do projeto por acreditar na importância desse resgate, e confessa que procura constantemente descobrir e testar novas experiências para o uso da seringueira no mobiliário de decoração. “Por se tratar de uma matéria prima renovável, contribui para evitar a exploração predatória de espécies nativas. Há uma grande carência de madeira na indústria moveleira e ter mais uma, além das (poucas) alternativas, é sempre bem-vindo”.    Um dado curioso é que o mercado de mobiliário confeccionado com esta madeira já existe há mais de 20 anos em países asiáticos como a Tailândia, a Malásia, a Indonésia e o Vietnã, tradicionais produtores de borracha, que se fortaleceram com o cultivo em função das sementes brasileiras de seringueira que foram contrabandeadas por um longo tempo durante o século XIX. “Hoje, ainda importamos a borracha natural por que temos uma produção muito abaixo do que consumimos. Uma ironia para um país que detinha a produção total do látex”, ressalta Fernando Genova, idealizador do projeto e presidente da Madeibor, madeireira especializada no plantio e extração da árvore.   Com um acabamento impecável e original, o designer Paulo Alves projetou uma namoradeira, na qual é possível ver um pedaço da tora da madeira bruta. “Nas extremidades da peça é possível ver todos os anéis de crescimento da árvore, sendo que cada um corresponde ao ciclo de um ano que ela passou plantada”, explica.    Já André decidiu apostar na mistura de materiais. “Usei o concreto porque vi similaridade com o processo de extração do látex, que também é líquido ao ser extraído e depois se torna sólido”, pontua. Os irmãos Sérgio e Jack Fahrer se inspiraram nos contornos da arquitetura do estádio do Pacaembu. “A técnica de madeira curvada permite ao desenho leveza e organicidade”.   Efeito degradê Um dos aspectos sensoriais mais importantes da madeira para uso em design, decoração, arquitetura de interiores e marcenaria pode ser definido a partir do efeito “degradê” de suas tonalidades e texturas. Protagonista da exuberância de nossas florestas nativas e plantadas, a diversidade de madeiras no Brasil foi o ponto de partida que inspirou a pesquisadora e designer de produto Andréa Franco Pereira na escrita do livro “Madeiras Brasileiras – Guia de combinação e substituição”, lançado recentemente em Belo Horizonte.    Segundo a autora, o objetivo proposto pelo livro é o de trazer informações para que o uso das diversas espécies de madeira possa ser feito de maneira mais ampla, seja em combinações de cores e texturas, seja na escolha de alternativas para substituições daquelas espécies menos abundantes, circunstância que pode ocorrer devido a fatores sazonais ou a ameaças de extinção de espécies. Além disso, Andrea ressalta que buscou valorizar e disseminar o uso de uma maior diversidade de espécies, fator essencial para o manejo florestal sustentável.    “Fiz o livro pensando em quem gostaria de ver catálogos de madeiras com informações importantes, através de uma linguagem mais próxima e fácil de ser consultada. O mostruário facilita comparar manualmente uma madeira com a outra e cada uma das fichas apresenta as principais características e propriedades das espécies”, pontua. “Mais do que conforto, estar em contato com a madeira provoca em nós uma sensação prazerosa”, acrescenta.    A escolha das 90 madeiras apresentadas no livro foi baseada em uma lista das cem espécies nativas mais comercializadas no Brasil entre 2008 e 2009, na disponibilidade de imagens e de dados técnicos, bem como na inclusão de madeiras extintas, proibidas de serem exploradas ou produzidas em plantios florestais. 

 

Leia tudo sobre: projeto seringueira