Ex-vendedor de chá derrota Ghandi e vira premiê na Índia

Vitória de Narendra Modi, do Partido Nacionalista, quebra hegemonia 128 anos do Partido do Congresso

iG Minas Gerais | Paula coura |

Comemoração. Narendra Modi recebe uma guirlanda floral de simpatizantes do Estado de Gujarat
Ajit Solanki/Associated press
Comemoração. Narendra Modi recebe uma guirlanda floral de simpatizantes do Estado de Gujarat

A família que dominou politicamente a Índia acaba de receber uma prova do descontentamento dos eleitores nas eleições gerais deste ano. O Partido do Congresso sofreu a maior derrota dos seus 128 anos de história, em uma campanha liderada por Rahul Gandhi,43 – filho, neto e bisneto de primeiros-ministros. A apuração dos votos ainda está em andamento, mas já existe a certeza de que o próximo chanceler será Narendra Modi, líder do partido nacionalista de oposição Bharatiya Janata (BJP).

“A vitória de Modi representa que os indianos querem uma mudança e estão cansados de corrupção. O resultado é avassalador e mostra que as pessoas buscam um governo forte” analisa o indiano Shobhan Saxena, correspondente do “The Times of India” na América Latina e professor de política internacional na USP. Na noite de ontem, o BJP já havia garantido cadeiras suficientes para controlar a câmara baixa do Parlamento e formar um governo sem a necessidade de coalizão com partidos menores, segundo dados da Comissão Eleitoral indiana. A votação teve uma participação recorde, com 66,38% dos 814 milhões de eleitores comparecendo às urnas durante às eleições, que começaram em 7 de abril. Apoiado por uma rica classe corporativa, o BJP foi agressivo na campanha, enviando dezenas de mensagens diárias e divulgando seus eventos de campanha por todo o país. “Onde quer que eu tenha ido foi um prazer interagir com a população. As mídias sociais também ajudaram a entender os sentimentos e as necessidades da população”. “A Índia venceu”, comemorou Modi em sua conta no Twitter. Análise. Analistas políticos relatam que o declínio do Congresso tem sido evidente há anos, principalmente, com a retração da economia devido uma sucessão de escândalos de corrupção no país.Grande parte da população que apoiava o partido do Congresso se demonstrou furiosa durante a campanha pela incapacidade do governo de enfrentar a corrupção, o desemprego e os problemas econômicos do país. “Estamos aceitando o veredicto do povo com total humildade”, disse o porta-voz Shakil Ahmed. “Admito que em 2014 o resultado foi pior que a nossa mais desastrosa previsão”, completou. “Entre 2004 e 2009 o governo fez muitas promessas de programas sociais. Mas a crise de 2008 acabou colocando um freio nessa proposta. O povo, principalmente a classe rural e classe média baixa, foi quem clamou por mudanças”, afirmou Saxena. Futuro. Modi é político de carreira, e apesar de explorar a pobreza da infância, ele é visto como bem relacionado no mundo corporativo na Índia, que deposita nele a esperança na criação de novos empregos e o retorno do forte crescimento econômico. Sua ascensão marca uma mudança de paradigma em uma das maiores democracias do mundo após décadas de políticas de bem-estar focadas no combate aos índices de pobreza do país asiático. “O partido dos hindus terá uma influência substancial sobre Modi. Ele não será inteiramente o seu próprio homem”, disse o analista político Kamal Miltra Chenoy. 

Família ainda será venerada Apesar de a família Gandhi estar enfrentando uma crise de popularidade, é prematuro fazer prognósticos sobre as próximas eleições. Em todo o país, a família é comparada como uma versão indiana da monarquia britânica. “O partido do Congresso não vai desaparecer. Eles têm vitalidade para se reinventar. Isto pode ser apenas um revés temporário”, disse o jornalista Inder Malhotra, que escreveu uma biografia sobre Indira Gandhi.

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