Protestos são destaque na imprensa estrangeira

Jornais falaram da insatisfação com gastos da Copa e dos desafios do governo

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Revolta. Em protestos anteontem, manifestantes queimaram barricadas pela rua do centro da capital
JOAO GODINHO / O TEMPO
Revolta. Em protestos anteontem, manifestantes queimaram barricadas pela rua do centro da capital

As manifestações contra a Copa do Mundo deste ano, que tomaram as principais cidades brasileiras nessa quinta, foram destaque na imprensa internacional. O clima de tensão, a falta de segurança e o descontentamento dos brasileiros com a atual conjuntura política do país foram a tônica das publicações.  

Enquanto isso, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse nesta sexta acreditar que os protestos tendem a diminuir na Copa. Para ele, o país será tomado por um “clima de festa”. Segundo Rebelo, as recentes manifestações estão mais relacionadas a questões trabalhistas. A declaração do ministro foi dada após uma reunião com autoridades brasileiras e representantes da Fifa.

O jornal argentino “Clarín” destacou as manifestações em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador, com ruas bloqueadas por ativistas. O site do periódico afirmou que os manifestantes têm demandas diversas, mas comungam o fato de serem contrários aos gastos públicos com o Mundial.

Os bilhões de reais gastos para sediar a competição também foram, para o americano “The New York Times”, o motivo para os protestos. Em uma reportagem com o título “Onda de Protestos contra o Governo Começa no Brasil”, a publicação contou que pneus foram furados e avenidas bloqueadas em manifestações que tentam chamar a atenção para os problemas de habitação e educação, a menos de um mês da Copa. O texto ainda destacou as manifestações no entorno do Estádio Arena Corinthians, construído para o Mundial. Segundo a reportagem, os atos são um teste para o governo mostrar habilidade em garantir a segurança durante a Copa.

O tom crítico também esteve no site da rede britânica de televisão “BBC”, que salientou que, apesar das mobilizações em 14 capitais do país e algumas ações de impacto, os protestos ficaram bem aquém do esperado pelos grupos envolvidos na convocação, que anunciavam a volta das grandes multidões de manifestantes às ruas, como ocorreu em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações.

Lula Em um evento realizado com blogueiros nesta sexta, em São Paulo, o ex-presidente Lula voltou a defender a realização da Copa do Mundo. Ele classificou como “babaquice” a preocupação em dar aos turistas estrangeiros confortos de “primeiro mundo”, como “chegar de metrô dentro do estádio”. Lula reforçou que o importante é mostrar a cultura brasileira e disse ter “muito orgulho” de ter trazido o Mundial de futebol e a Olimpíada para o país. 

Joseph Blatter O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou nesta sexta que a população brasileira está “um pouco descontente” com a Copa, mas disse acreditar que “a situação irá mudar radicalmente” no dia 12 de junho, assim que a competição começar. Em entrevista à TV suíça “RTS”, o cartola disse acreditar que os brasileiros se decepcionaram com o Mundial porque promessas de melhorias de vida relativas ao fato de o país organizar o torneio não foram cumpridas.

Viaduto Após a morte de dois jovens nas manifestações da Copa das Confederações, em 2013, o viaduto José Alencar, na Pampulha, em Belo Horizonte, vai ganhar guarda-corpo. A instalação deve começar na segunda-feira. Segundo a Regional Pampulha, as grades são similares ao gradil do viaduto da Lagoinha – de cubo de aço, com 1,30 m de altura – e serão instaladas em volta de toda a estrutura, inclusive do canteiro. A instalação deve durar duas semanas.

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