Desocupação de área termina em confusão

Ocupantes acusam prefeitura de não ter mandado judicial

iG Minas Gerais | José Augusto |

Homem foi imobilizado por vários guardas municipais durante a desocupação
Nelson Batista
Homem foi imobilizado por vários guardas municipais durante a desocupação

A desocupação de um terreno no bairro Sítio Poções, em Betim, na região metropolitana, terminou em confusão na manhã de ontem. Os ocupantes da área acusam a prefeitura da cidade de realizar a desapropriação sem ordem judicial.

No tumulto, um homem foi detido. Segundo os familiares de Leonardo de Paula Alves, guardas municipais o teriam agredido. “Fizeram uma covardia com o meu marido. Bateram nele com o cassetete e deram choques para ele desmaiar. Ele não fez nada, só falou que estava sem os documentos. Colocaram-no no carro e não disseram para onde iriam levá-lo”, protestou Franciele Alves, mulher de Leonardo Alves.

Com uma motosserra e alguns caminhões, funcionários da Defesa Civil derrubaram os barracos. “Chegaram de manhã gritando e mandando a gente sair, mas não apresentaram nenhuma ordem judicial. Poderiam ter mostrado os documentos e conversado, mas não fizeram isso. Desmaiaram um amigo nosso, pois ele estava sem documento. Não precisava ter sido dessa maneira. Para mim, foi uma covardia o que fizeram com ele”, disse Rodrigo Gomes, líder da ocupação.

Emanuele Silva também reclamou da forma como a desocupação foi realizada. “Eles aproveitaram que somos humildes e nos expulsaram de maneira agressiva, sem avisar”, acrescentou.

Motivo

O terreno foi invadido no início do mês por cerca de 90 famílias. Segundo elas, a principal razão da ocupação foi protestar contra a demora da prefeitura em liberar os apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, na região do Citrolândia.

“Eu invadi este terreno porque me fizeram uma promessa e ela não foi cumprida. Fiz uma inscrição em 2009 e até hoje não recebi o meu apartamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Pago R$ 500 de aluguel e não tenho condições de continuar pagando”, afirmou Ana Maria Amorin, de 41 anos.

Versão

A prefeitura negou que Leonardo Alves tenha sido agredido. “Ele foi apenas detido após ameaçar os guardas, tentar impedir os trabalhos e se recusar a apresentar documento pessoal. Alves se dirigiu à viatura caminhando”.

A administração ainda informou que “agiu em conformidade com o Artigo 1.210 do Código Civil Brasileiro, utilizando de autotutela para retomar a posse do imóvel, que é uma área do município. A Guarda desempenhou apenas a atribuição de proteger o patrimônio público”, diz a nota.

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