Bate debate 16/5/2014

iG Minas Gerais |

"Lepo lepo"   Carolina Fernandes Leite Moderadora do Fiscalizando Contagem   A música que virou febre e contagiou o Brasil chegou a Contagem. Quando assisti ao vídeo do prefeito Carlin Moura dançando o “Lepo Lepo”, pensei imediatamente: “O que que tem? Vocês não têm nada com isso, nem eu também. Faz mal dançar um ‘Lepo Lepo’ assim com alguém?”. Aproveitando pra homenagear Jair Rodrigues, retrato o meu sentimento imediato. Roberto Justus dançou o “Lepo Lepo”, e ninguém disse nada. Tudo bem, o Justus gosta de aparecer. E cada cidade tem o dançarino de “Lepo Lepo” que merece.   Não teria problema dançar o “Lepo Lepo” e cantar “rá rá rá rá rá”, se nossa cidade estive em harmonia, com qualidade de vida. No terrível momento em que a cidade se encontra, dançar o “Lepo Lepo” é rir da nossa cara. Já se foi o primeiro ano de governo, chegamos a um ano atípico, em que, além dos inúmeros feriados, ainda temos a Copa do Mundo de Futebol, momento em que o brasileiro se esquece dos problemas para torcer pela seleção brasileira. Mas fica a pergunta: e depois da Copa? Vamos aguardar calados? Continuar observando? Creio que não. Acredito que o problema não seja a música tão altamente criticada, mas quem não gosta da nossa periferia, que acha que pagode e axé são estilos musicais sem sentido, pobres culturalmente. Não são. Se analisarmos bem, o “Lepo Lepo” retrata nossa realidade, nosso país, nossa Contagem. “Ah eu já não sei o que fazer. Duro, pé-rapado e com o salário atrasado”, caberia bem em uma das faixas dos servidores da Educação em greve na cidade. A situação está tão calamitosa que tem gente que já foi despejada, e comprar um carro virou sonho.   Para quem não conhece o município, basta entrar diariamente no grupo Fiscalizando Contagem, no Facebook, e verá que Contagem está um caos. A saúde está abandonada, faltam remédios e exames simples, o atendimento é de má qualidade, devido à precariedade. Na educação, sofrem os servidores e professores com os problemas acumulados nos últimos anos. Limpeza urbana praticamente não existe. Os becos do Novo Eldorado estão lotados de mato, ratos e sujeira. Pra piorar a situação, a insegurança aumenta, a violência se generaliza, e o pobre diz: “Eu não tenho carro, não tenho teto, não tenho mais pra onde correr”. Difícil.   Pelo visto, de tanto tomar “lepo lepo” do governo, o cidadão começou a se revoltar e saiu às ruas, o que deve se repetir de maneira acentuada durante a Copa do Mundo de Futebol que começa no dia 12 de junho. Enquanto uns saem às ruas, outros, também cansados de tanto levar “lepo lepo” na cara, começaram a fazer justiça com as próprias mãos. Os linchamentos deram errado, e o povo acabou cometendo injustiça. O povo está ficando embrutecido.   Em ano eleitoral, ano de “lepo lepo”, é de se imaginar que o clima quente da reação emotiva contra a violência não para por aqui. E Contagem, infelizmente, continua na contramão da história civilizatória. A desordem e os desmandos tomaram conta do governo municipal, e os interesses pessoais suplantam os individuais e coletivos. Quem vai pôr ordem nessa baderna? O povo contagense anda triste e angustiado. Quando nada mais resta, alguns apelam sim para o “Lepo Lepo”. É uma forma de se manter vivo, sobreviver a toda essa patifaria. A quem nada restou, só o “Lepo Lepo” pode trazer alguma alegria. 

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