Anvisa pode liberar compra de derivado da maconha

Agência estuda facilitar acesso a medicamento no exterior

iG Minas Gerais | da redação |

Katiele Fischer é mãe da pequena Anny, 6, que usa o canabidiol
Reprodução internet
Katiele Fischer é mãe da pequena Anny, 6, que usa o canabidiol

Após ter recebido determinação de Justiça de liberar a importação de medicamento derivado da maconha para tratar convulsões de uma criança, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda alterar até o fim de junho o processo de importação de medicamentos que levam canabidiol. A substância química encontrada na maconha e que, segundo alguns estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas.

Com a decisão da Justiça, a família da criança trouxe para o Brasil uma bisnaga de dez gramas do medicamento, suficiente para três meses de tratamento, ao custo de US$ 500. O diretor-adjunto da Anvisa, Luiz Roberto Klassmann, anunciou a possibilidade em palestra do 4º Simpósio Internacional da Cannabis Medicinal, em São Paulo. O encontro discute o tema com especialistas das áreas médica e jurídica.

O diretor informou que a decisão ainda precisa ser aprovada pela Diretoria Colegiada da agência, em reunião que vai acontecer até o fim deste semestre. Se isso ocorrer, qualquer brasileiro com uma prescrição médica em mãos recomendando um medicamento com canabidiol, poderá entrar no país de maneira legal com o produto, ou recebê-lo por encomenda.

Atualmente, esses remédios estão em uma lista do órgão de Vigilância Sanitária que proíbe o uso para fins terapêuticos, exceto quando há alguma autorização especial para importação concedida pelo próprio diretor da agência ou ainda sentença jurídica com a mesma finalidade.

A visão pessoal de Klassmann é de que a mudança “deve ser aprovada pela diretoria colegiada”.

“A partir do momento que ela deixar de ser proscrita, esses problemas de barreira alfandegária vão acabar”, disse Klassmann ao G1. “Precisamos, inicialmente, quebrar o preconceito e estigma (do uso da maconha medicinal) e ver pela ótica cientifica o que está disponível. Eu me comprometo em agilizar a liberação”, complementou o diretor-adjunto da Anvisa.

Nos Estados Unidos, 20 Estados e Washington têm legislação que autoriza o uso da maconha para fins medicinais.

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