Problema? Que nada

iG Minas Gerais |

Dizem que um problema faz esquecer outro ou, pelo menos, torná-lo mais compreensível. Parece que é assim mesmo que caminha a humanidade. O Brasil começa a viver uma efervescência, alimentada pela realização da Copa do Mundo e pela aproximação do período eleitoral. São dois eventos que mobilizam a população e implicam visibilidade para o país. É claro que o mundo político pretende tirar proveito dessa situação. A maneira de se fazer isso é variável. A oposição tenta derrubar a Copa para comprovar uma incompetência da gestão da presidente Dilma Rousseff. O governo federal, por sua vez, trabalha para garantir o sucesso do Mundial e colher os frutos nas urnas, na eleição de outubro próximo. E nessa guerra vale tudo. A propaganda e a contrapropaganda correm soltas, especialmente nas redes sociais. Denúncias de irregularidades, principalmente nas obras relacionadas ao evento esportivo, começam a aparecer cada vez mais. Declarações de pessoas públicas e de notoriedade a favor e contra o Mundial ganham espaços grandes na mídia. O que não acontece de parte alguma é uma análise mais isenta sobre as vantagens e desvantagens para a sociedade da realização da Copa. O que será que a população quer e qual a importância que ela concede ao evento esportivo são questões que quase não são discutidas, exceto por uma pesquisa ou outra. E, ao se falar sobre benefícios e prejuízos provocados pela Copa, é necessário destacar que, de forma geral, os países que já sediaram a competição não registraram prejuízos consideráveis. E se assim não fosse, qual seria então o motivo pela disputa tão acirrada entre os países que se habilitam para sediar o evento? Mas é necessário lembrar o quanto o poder público participa e investe e de qual tamanho é a contribuição da iniciativa privada. No Brasil, como sempre, a máquina pública sempre acaba arcando com a conta mais pesada. E não foi diferente agora. Essa cultura de entender o Estado como “paizão provedor” é secular e persiste. Esse entendimento não está restrito a um segmento ou partido. Na verdade, todos os governos, após a redemocratização, atuaram com paternalismo. A visão de que o poder tem a obrigação de fomentar os diversos setores da economia está presente no Programa de Aceleração do Crescimento, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, bem como também existiu na administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em resumo, qualquer governo gostaria de trazer uma Copa para o Brasil, e qualquer oposição iria criticar a atitude. Nenhum lado, certamente, colocaria a sociedade como foco dessa decisão. Como é uma decisão política, ela é analisada do ponto vista da capacidade da urna.

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