Oficina e bate-papo aproximam samba do público mineiro

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Vida e obra de Wilson Baptista serão reforçadas em bate-papo
O CRUZEIRO/arquivo
Vida e obra de Wilson Baptista serão reforçadas em bate-papo

Além da estreia do musical “O Samba Carioca de Wilson Baptista”, duas oficinas gratuitas vão promover um debate sobre relação entre a música brasileira feita entre os anos de 1920 e 1950 e o teatro, além de apresentar detalhes sobre a vida e a obra de Wilson Baptista, hoje à tarde.

Apesar de pouca gente ter guardado o nome dele hoje em dia, Wilson Baptista chamava a atenção no Café Nice, ponto de encontro de intelectuais e bambas como Noel Rosa e Sylvio Caldas, na década de 30. Além de andar sempre com Glostora nos cabelos ondulados, ele era um boêmio que não colocava sequer uma gota de álcool na boca, e compunha sem tocar nenhum instrumento – usava apenas o balançar de uma caixa de fósforos para sobrepor letras mais ousadas em arranjos de parceiros.

Essas são algumas das peculiaridades que o pesquisador Rodrigo Alzuguir pretende abordar na palestra “Wilson Baptista e seu Tempo”. A ideia dele é apresentar um panorama da música brasileira dos anos 30 aos 50, usando como fio-condutor a trajetória do compositor homenageado. “Vamos falar das pequenas fábricas de discos da época, as boas histórias envolvendo compositores, o Carnaval agitado e muito mais. Queremos que o público conheça mais sobre o samba e o Wilson antes de assistir ao musical porque ele faz parte de uma parcela importante da música crítica e de alto nível produzida do Brasil”, adianta.

Apesar de Wilson Baptista ter tido três filhos (Wilton, Mariza e Vílson) com três grandes amores de sua vida (Floripes, Marina e Verinha), ele acabou sozinho no pequeno apartamento da rua Senador Dantas, no centro do Rio, até sua morte em 7 de julho de 1968. “Nessa época o samba estava começando a ser reinventado com outros movimentos encabeçados por Noel Rosa, Antônio Nássara, Ataulfo Alves e outros. Eu me arrisco a dizer que se o Wilson tivesse vivido mais uns cinco anos, teria composto muito mais e feito uma música até melhor do que já fazia”, disse.

Dramaturgia. Logo após o bate-papo com Rodrigo Alzuguir, a experiente atriz Cláudia Ventura vai realizar a oficina “Quando a Canção É Dramaturgia”, voltada especificamente para atores – amadores ou profissionais. No workshop, a atriz usa um apanhado de técnicas que aprendeu durante a carreira e que também ensina em um programa de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uni-Rio). A intenção é mostrar como o universo da música popular brasileira pode transformar a atuação de atores.

“Vou fazer um exercício de transformar músicas da MPB em partes de textos que os atores terão que interpretar como algum personagem. O que queremos é mostrar como o conhecimento sobre a história da MPB é fundamental para representar um papel musical, além de clarear na cabeça dos atores como eles podem usar esse conhecimento em cena, ganhando mais segurança no palco e fazendo interpretações mais completas ”, antecipa ela.

Agenda

O quê. Palestra “Wilson Baptista e seu Tempo”, com o pesquisador Rodrigo Alzuguir. Na sequência, a oficina “Quando A Canção é Dramaturgia”, com a atriz e cantora Cláudia Ventura

Onde. Teatro Dom Silvério (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi)

Quando. Hoje, das 15h às 19h (palestra), e das 19h30 às 21h (oficina)

Quando. Entrada gratuita, mas os dois eventos são limitados a 50 vagas cada. Os interessados podem fazer uma inscrição prévia para participar das atividades, enviando dados pessoais (nome, idade e telefones de contato) para o endereço eletrônico: wilsonbaptista100anos@gmail.com.

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