Torcedores europeus preferem ver jogo de futebol sem a mulher

No Brasil, a situação é diferente, com o público feminino ligado no esporte

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Sem distração. Torcedores portugueses vibram desacompanhados em partida entre Portugal e Grécia
Andre penner/ap - 4.7.2004
Sem distração. Torcedores portugueses vibram desacompanhados em partida entre Portugal e Grécia

Futebol é coisa de homem. Pelo menos, é isso que pensam os torcedores europeus. Uma recente pesquisa realizada pelo instituto Survey Lab com homens de idades entre 25 e 40 anos na França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido e Holanda revelou que 52% dos italianos e 48% dos franceses preferem assistir às partidas sem suas mulheres e namoradas.  

Os pesquisados dos demais países se mostraram um pouco mais tolerantes à presença das parceiras na “cerimônia” do jogo: 59%. Ainda assim, 41% preferem que elas não estejam presentes. “O futebol, por causa do machismo, sempre foi ‘cultuado’ como sendo do universo masculino, e as mulheres sempre foram vistas como incapazes de entender e praticar o futebol”, analisa o psicoterapeuta psicanalítico Adilson Costa, do site Doutísisma.

A pesquisa não incluiu o Brasil, mas Costa acredita que o resultado seria diferente em nosso país, já que aqui o interesse das mulheres pelo esporte é crescente. A maioria dos entrevistados pela reportagem disse preferir assistir às partidas com a família, incluindo as mulheres (você pode votar na enquete realizada pelo portal www.otempo.com.br).

Conflito. Aquelas que quiserem “fazer as pazes” com o futebol também podem tentar entender a importância do esporte no universo masculino. “Aprender sobre as regras, técnicas e táticas de um jogo, facilitando a interação com o parceiro. Não queiram competir com o futebol ou provocar seus parceiros causando ciúmes e podem vir a quebrar esse preconceito sexista”, recomenda o especialista.

Mas, caso a parceira não goste mesmo de futebol, não adianta tentar insistir. “Se a mulher se sentir negligenciada enquanto seu companheiro assiste ao futebol, a melhor opção é o diálogo”, recomenda Costa. Porém, é melhor que a conversa não aconteça justamente no momento da partida. “Durante a partida, a possibilidade de haver um diálogo saudável diminui”, diz o psicoterapeuta.

Além disso, ela deve tentar encontrar atividades que possa fazer sozinha enquanto o parceiro se dedica aos jogos. Essa pode até ser uma boa brecha no dia a dia para se reunir com as amigas, fazer um curso, ler um livro ou fazer outras atividades que não agradam ao marido ou ao namorado.

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