Sem acordo com governo, Saúde decide manter greve

Servidores estão paralisados há 17 dias; categoria diz que não houve avanço na negociação e que prefeitura ameaça cortar ponto

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para terça-feira (20)
Nelson Batista
Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para terça-feira (20)

Os servidores do setor de saúde de Betim decidiram que vão continuar em greve até a próxima terça-feira (20), quando será realizada uma nova assembleia da categoria. A paralisação, que começou no dia 30 de abril, já afeta o atendimento da população em várias unidades de saúde do município há duas semanas.

Segundo a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde), Berenice de Freitas, mesmo com a aprovação do reajuste parcelado de 7% –sendo 3% retroativo ao mês de abril, e a segunda parcela, 4%, somente em outubro – pela Câmara, a categoria resolveu permanecer com o movimento, já que não houve avanço na discussão da pauta de reivindicações dos trabalhadores.

“Na reunião da mesa setorial de negociações, realizada na segunda-feira (12), a prefeitura não apresentou propostas concretas para a categoria. Eles apenas criaram duas comissões, que terão 90 dias para discutir nossas demandas e apresentar uma proposta. Os trabalhadores não aceitam isso e estão revoltados. Queremos uma proposta de imediato, como foi feito com outras categorias na cidade”, afirmou.

Os servidores da saúde reivindicam, dentre outros itens, a revisão e a ampliação da gratificação dada aos trabalhadores que atuam na urgência e na emergência; a ampliação da gratificação para os profissionais que trabalham em unidades de difícil fixação; e o reenquadramento dos cargos da secretaria.

Ainda conforme a sindicalista, o governo ameaça cortar o ponto dos trabalhadores que aderiram ao movimento. “Além disso, a prefeitura ainda ameaçou entrar com uma ação na Justiça pedindo a ilegalidade da greve. Isso é um absurdo. Nossa greve é legal. Se estamos em greve, a culpa é do governo, que não quer avançar com as negociações. Sabemos que quem sofre com isso é a população, que fica desassistida, mas temos que lutar pelos nossos diretos”, justificou Berenice.

Uma nova assembleia da categoria está marcada para terça-feira (20), a partir das 9h, em frente à Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro.

Colapso As consequências da greve dos servidores da saúde já são sentidas pela população, que depende dos serviços. Unidades superlotadas, ausência de profissionais e cidadãos desassistidos fazem parte do cenário de colapso em que se transformou o municípios nos últimos dias.

Na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro, pacientes que foram buscar atendimento na última quinta (15) ficaram revoltados. “Estou aqui há quase quatro horas buscando atendimento para o meu filho de 9 anos, e, até agora, nada. Queria saber o que o prefeito Carlaile está fazendo com o dinheiro da saúde. Será que ele achou bonito o que a Maria do Carmo fez? Desde que ele assumiu, as coisas pioraram”, reclamou a dona de casa Osvaldina de Souza, de 44 anos.

Resposta A assessoria da prefeitura informou que, durante a reunião com os sindicalistas, duas comissões foram criadas, uma para realizar um estudo sobre o impacto financeiro das gratificações e outra para verificar, do ponto de vista jurídico, o reenquadramento de cargos. “As comissões terão cerca de 90 dias para apresentar, em uma nova reunião, os resultados e a viabilidade das pautas”, declarou.

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