Senado demitirá funcionários sem concurso de equipamentos para TV

Renan Calheiros afirmou que a redução no contrato é necessária porque há "estruturas redundantes" na Casa que precisam ser acabadas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Após pronunciamento de Renan Calheiros, servidores que temem ser demitidos encheram as galerias do plenário, vestidos de preto, em protesto silencioso contra a decisão
Antonio Cruz/Agência Brasil
Após pronunciamento de Renan Calheiros, servidores que temem ser demitidos encheram as galerias do plenário, vestidos de preto, em protesto silencioso contra a decisão

O Senado vai exonerar servidores da área de comunicação da Casa, a maioria da TV Senado, para adquirir novos equipamentos para a emissora oficial da instituição, que está sucateada. A Casa vai reduzir em R$ 5 milhões o contrato de servidores terceirizados, contratados sem concurso público, na área de comunicação.

O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez o anúncio dos cortes no plenário da instituição nesta quinta-feira (15). Vestidos de preto, servidores que temem ser demitidos encheram as galerias do plenário em protesto silencioso contra a decisão da cúpula da instituição.

"Essa lógica, esse modelo, acaba limitando a capacidade de novos investimentos na modernização de áreas estratégicas. Gastou-se em gigantismo em detrimento dos investimentos em modernização", disse o senador.

Renan afirmou que a redução no contrato é necessária porque há "estruturas redundantes" na TV Senado que precisam ser acabadas, além de um excesso de servidores sem concurso realizando funções semelhantes a de efetivos.

"Era uma cultura. Toda pessoa que achava importante trabalhar no Senado pendurava em um contrato de terceirização. Ao longo do ano isso aqui foi feito. Mas isso não vai mais acontecer", disse.

O Senado não tem estimativas de quantos servidores serão exonerados porque, segundo Renan, o objetivo da instituição é reduzir o preço total do contrato de terceirizados. A maneira com que a economia será alcançada vai ser planejada pela diretoria de comunicação da instituição.

Inicialmente, servidores afirmam que seriam demitidos 40% dos funcionários terceirizados. Após senadores protestarem em defesa do grupo, o comando do Senado deixou de falar em cortes de pessoal e anunciou a redução no valor total do contrato.

Segundo Renan, a área de comunicação tem hoje 286 servidores efetivos, 336 terceirizados, 12 comissionados e 20 estagiários. "Ao que tudo indica, há um relativo super dimensionamento dos quadros de nossa comunicação social que merece, de fato, um ajuste."

Sucateamento

Em março, a Folha de S.Paulo revelou que a TV Senado, criada em 1996, vive situação de sucateamento e abandono, segundo e-mails e relatos de servidores. Há funcionários trabalhando em condições insalubres e equipamentos sem manutenção por quase um mês.

A TV enfrenta cortes no orçamento, segundo servidores da Casa, devido à política de redução de gastos imposta por Renan desde que assumiu o comando da instituição.

E-mails obtidos pela Folha de S.Paulo e relatos de servidores que preferiram não se identificar revelam que os serviços de manutenção foram suspensos após o contrato para a atualização dos equipamentos ser encerrado.

Nesse período, câmeras e ilhas de edição pararam de funcionar -após ser procurada pela reportagem, a Casa firmou contrato com validade de dois meses. O Senado confirmou que a maior parte dos equipamentos da TV tem quase 15 anos de utilização.

Quando as fitas para gravação acabaram, técnicos da emissora passaram a selecionar o que seria registrado e a descartar imagens anteriores. Sem tinta para impressão, passaram a recorrer a outros departamentos do Senado.

Eles também se queixam do mau cheiro que emana do subsolo da TV, causado por um defeito na bomba que leva o esgoto do Senado até a Caesb (Companhia de Esgoto de Brasília). A situação já levou a direção da emissora a suspender o expediente por uma tarde devido ao "estado insalubre" causado pela"liberação de gases".

O Senado admite o problema e promete realizar a manutenção na bomba aos sábados.

Com Folha press

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