Pelo 2° ano seguido, Betim não terá festas tradicionais

Novo parque de exposições anunciado não começou a ser construído; com isso, Betim Rural e Feira da Paz devem ser retomados só em 2015

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

 

Pelo segundo ano consecutivo, o município não terá nem o Betim Rural nem a Feira da Paz – as duas maiores e mais tradicionais festas da cidade. Através de nota encaminhada a O Tempo Betim, na última terça-feira (13) a assessoria de imprensa da prefeitura informou que os eventos só deverão ser retomados em 2015.   Segundo a nota oficial, ainda está sendo finalizado o projeto arquitetônico e de estrutura, terraplanagem, hidrossanitário, drenagem, iluminação, cabeamento, telefonia e paisagístico, do novo parque de exposições, que deverá ser construído na trincheira da BR–262, próximo ao clube Pingo d’ Água.    A reportagem esteve no local onde será construído o novo parque e encontrou apenas um terreno com mato e cheio de urubus. Nenhuma obra ainda foi feita pela prefeitura.   Desde 2011, o Parque de Exposições David Gonçalves Lara, que fica no bairro Angola, está impossibilitado pela Justiça de receber festas em que o barulho ultrapasse o limite de decibéis estabelecido pela legislação ambiental – 55 decibéis. Por isso, é necessária a construção de um novo centro de eventos.   A notícia de que as festas deverão ser retomadas somente no ano que vem não agradou aos betinenses. “É lamentável. Nós, jovens, não temos opções de lazer em Betim. Hoje, quando não estou nos shoppings, estou brincando na pracinha perto de casa, no bairro Alterosas. A gente perde muito com o fim desses eventos”, disse o estudante Júnior Oliveira, 17.   Há quase 40 anos morando no município, o motorista Odilon Ferreira de Carvalho lembra com saudades da época em que essas festas agitavam a cidade. “Era uma época boa. A gente se divertia muito. Essas festas eram uma oportunidade que tínhamos de reunir amigos e familiares. É uma pena que elas tenham acabado”, disse.   A costureira Ariane Evangelista, que ia muito à Feira da Paz, também lamenta o cancelamento. “Em todo ano, eu esperava ansiosamente a Feira da Paz. Era uma festa tradicional. Além disso, aos domingos, eu e meu marido costumávamos levar o nosso filho ao parque. Sinto falta dessa época”.   Para o presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), Fernando Carlos Macieira, é preciso criar mecanismos para retomar esses eventos. “O Betim Rural, por exemplo, já foi uma das maiores festas agropecuárias do calendário turístico de Minas, pois reunia shows, apresentações culturais, concursos, rodeio, exposição de animais e até artesanato”.   Macieira também reclamou da falta de investimentos em cultura. “Hoje Betim não tem políticas efetivas de lazer. O teatro, promessa de campanha, não sai do papel. Os shoppings, que são a nossa única alternativa, estão proibindo a entrada de jovens. Além disso, os parques estão abandonados e sucateados”, frisou.   Já o vereador mais jovem da Câmara Municipal, Tiago Santana, ressaltou que o cancelamento do Betim Rural e da Feira da Paz não representam um prejuízo apenas cultural para Betim, mas também financeiro. “Essas festas movimentavam a economia. Muitas pessoas vinham de outras cidades, e dezenas de famílias lucravam com barraquinhas, hotéis, estacionamentos, dentre outras coisas”.   O vereador ainda completou dizendo que reconhece a necessidade de investimentos na saúde e na segurança, mas que a cultura não pode ser deixada de lado. “Não podemos abrir mão de atividades de lazer e entretenimento para a população. Acho que a prefeitura precisa encontrar alternativas de retomar esses eventos”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave