Milhares vão às ruas e tentam resgatar espírito de 2013

Sindicalistas, professores e movimentos sociais ocuparam principais capitais do país

iG Minas Gerais |

Revolta, Em frente ao estádio Arena Corinthians, militantes sem-teto colocaram fogo em pneus e fizeram barricadas
Andre Penner
Revolta, Em frente ao estádio Arena Corinthians, militantes sem-teto colocaram fogo em pneus e fizeram barricadas

São Paulo. Manifestantes contrários à Copa do Mundo se uniram à militantes que buscam soluções para antigos problemas nacionais em um dia marcado por protestos nas cidades-sede do Mundial. A vontade de encher mais uma vez as ruas era visível nos mais de 50 manifestações agendadas pelo país nesta quinta. Os protestos de junho, no entanto, foram resgatados com maior intensidade em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, em atos que culminaram, mais uma vez, em confrontos, depredações e prisões. Em meio ao clima de tensão, o líder do MTST, Guilherme Boulos, ainda deu um ultimato para que o governo solucione os problemas de moradia e garantiu que, durante a Copa, novas manifestações tomarão a capital paulista. No Rio de Janeiro, professores em greve e estudantes também caminharam pelo centro. Em São Paulo, pelo menos nove pontos da cidade foram ocupados por uma série de protestos importantes, organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), pela Força Sindical e por grupos anti Copa e até por professores. Pela manhã, cerca de 4.000 pessoas fecharam importantes avenidas e pontes da cidade. O trânsito ficou caótico. No fim do dia, 5.000 professores em greve desde o último dia 23 e outros manifestantes fecharam diversas ruas da região central.

O momento mais crítico aconteceu na rua da Consolação, onde mascarados entraram em confrontos com policiais militares. Eles atiraram pedras e colocaram fogo em barricadas. A polícia usou bombas de gás e uma concessionária de carros foi depredada. Foram presas 21 pessoas até o fechamento desta edição.

Mais cedo, na zona Leste, quando um grupo ligado ao MTST também colocou fogo em pneus, o clima ficou tenso entre os sem-tetos e integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel. Apesar disso, não houve confrontos. Metalúrgicos também protestaram contra a situação econômica do país.

Ameaças. Apesar do encontro que teve com a presidente Dilma Rousseff e representantes de construtoras na semana passada, o líder do movimento sem-teto fez ameaças nesta quinta. “Se não revolver neste período (até o início da Copa), vai ter problema”, afirmou Guilherme Boulos.

Rio de Janeiro O dia desta quinta foi marcado por muitos transtornos no centro do Rio de Janeiro. Cerca de 700 professores em greve e ativistas contrários à Copa fizeram uma passeata pelo centro da capital fluminense, na tarde desta quinta. Eles se reuniram na Estação Central do Brasil e seguiram rumo à prefeitura. Um grupo de manifestantes mascarados seguiu na frente do protesto, mas até o fechamento desta edição, confrontos ainda não haviam acontecido. No início da tarde, os educadores estaduais e municipais optaram por continuar em greve.

Copa x protestos O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, defendeu nesta quinta punições rigorosas para manifestantes que não forem pacíficos. “Governo não tem que temer ou deixar de temer (as manifestações). Tem que cumprir seu papel. Proteger as manifestações pacíficas e coibir as violentas”. O ministro afirmou que a violência não será “concebida” pelo governo federal, principalmente aquelas que resultarem em morte e depredações. Ainda segundo ele, os protestos desta quinta não têm ligação com a Copa. “Não sei porque transformar manifestações que são de reivindicações em manifestações contra a Copa e o governo”.

União desiste de penas duras para manifestantes Brasília.O governo federal desistiu de colocar em vigor até o início da Copa do Mundo uma lei que pune com mais rigor atos de violência e vandalismo praticados em protestos de rua. Desde junho passado, o governo havia cogitado enviar um projeto dessa natureza ao Congresso. “O recuo do governo se deu em grande parte pela consciência de que a melhor solução era o diálogo e apostar no bom senso das pessoas”, afirmou Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral da Presidência em entrevista ao “UOL Esporte”.

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