Clientes lesados se desdobram para procurar outro bufê a tempo

Muitos deles já gastaram boa parte do dinheiro orçado para o casamento com o bufê que decretou falência na última terça-feira; falta de respostas revolta noivas e fornecedores

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Um das unidades do Buffet Tereza Cavalcanti ficava no bairro Santa Amélia
Google Street View/Reprodução
Um das unidades do Buffet Tereza Cavalcanti ficava no bairro Santa Amélia

A falência do Buffet Tereza Cavalcanti, decretada nessa terça-feira (13), já causa dor de cabeça em muita gente. São noivas e fornecedores que foram surpreendidos pelo anúncio repentino de que não apenas o serviço iria acabar, como todos os funcionários seriam demitidos.

Com uma dívida que pode chegar a R$ 10 milhões, a responsável pelo bufê, Terezinha Neves Pereira Cavalcanti, que tem lojas no bairro Santa Amélia, Santa Terezinha e Belvedere, todas já com as portas fechadas, ainda não se apresentou a Justiça. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Wanessa Santana Martins, ela deve prestar depoimento na próxima semana.

A empresária Thanit Lage, 29, que está com o casamento marcado para setembro deste ano, diz que já não conta mais com o dinheiro pago ao bufê, mas que mesmo assim entrou na Justiça. “Eu contratei os serviços do Tereza Cavalcanti no início de março deste ano, já com parte do valor pago: R$ 10 mil. Agora ficamos sem resposta e eu acho muito difícil reaver esse dinheiro, mas mesmo assim entrei na Justiça para que o calote não passe batido”, contou.

Segundo ela, foi sorte ter encontrado outro Buffet para substituir o serviço, a cerca de apenas quatro meses do casamento. “Mais dinheiro gasto. Com certeza vai fazer falta, ainda mais porque a gente já se aperta para arcar com os gastos do casamento, que não são baixos. O orçamento foi desfalcado, mas não vou deixar isso tirar a minha felicidade com o casamento”, contou.

Como ela, a advogada Nathália Ferreira Araújo, 28, também perdeu dinheiro ao contratar os serviços do bufê para o seu casamento que está marcado para outubro. “Paguei 28 mil e ainda faltavam quatro parcelas com um total de 12 mil. Até terça-feira [13] não sabia de nada. Ninguém me comunicou. Ouvi boatos e liguei para o meu cerimonial que já sabia de algumas coisas. Eles tentaram contato com um funcionário que não soube dar nenhuma posição. Quando foi na quarta-feira [14] cedo fui para a porta do bufê para saber o que acontecia e estava tudo fechado. Ninguém consegue contato com a dona e a filha dela apenas disse que eles faliram e que para ter retorno teríamos que procurar a Justiça”, contou.

A falta de comunicação com os responsáveis pela empresa - a Terezinha Cavalcanti e os dois sócios, filhos dela - indigna ainda mais os clientes lesados. A bancária Fernanda Martins, 22, contou que ao procurar explicações depois de desembolsar quase R$ 18 mil com o bufê, recebeu uma resposta mal educada seguida do telefone desligado na cara dela. “Falei com a filha da dona do bufê e ela disse que a empresa estava quebrada. Ela disse que não podia fazer nada por mim e desligou o telefone. Nunca mais consegui fazer contato. O meu casamento está marcado para 4 de outubro e já havia quitado todo o valor do serviço que é de 17.800. Vou ter que achar outro bufê que tenha vaga e terei um enorme prejuízo”, lamenta.           

Mas não foram apenas clientes que acabaram lesados e sem resposta. Uma das funcionárias do setor financeiro do bufê, Laís Dias, 22, contou que a folha de pagamento mensal da empresa era de R$ 200 mil e havia, pelo menos um mês, que todos os colaboradores não recebiam. Ainda segundo a funcionária, a empresa devia mais de R$ 2 milhões para fornecedores.  

Uma dessas fornecedoras, Eliane Alves de Almeida, 45, contou que nenhuma das compras feitas pelo bufê foram pagas. "Fornecia material de construção para eles há alguns meses e ficamos com cerca de R$600 de prejuízo. Ligamos e nunca conseguimos contatos e nenhuma das compras foi paga. Tomamos um cano".                

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