Demora no atendimento causa tumulto em unidade de saúde de Betim

Testemunhas relataram que houve gritaria e agressões entre funcionários e pacientes; vidro foi quebrado e PM, acionada

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

GERAL - BETIM - MG. REPORTER DO JORNAL O TEMPO E DETIDO A TRABALHO EM POSTO DE SAUDE NO BAIRRO GUANABARA EM BETIM.
FOTO: NELSON BATISTA / O TEMPO
Nelson Batista
GERAL - BETIM - MG. REPORTER DO JORNAL O TEMPO E DETIDO A TRABALHO EM POSTO DE SAUDE NO BAIRRO GUANABARA EM BETIM. FOTO: NELSON BATISTA / O TEMPO

Problemas como falta de profissionais da saúde, o longo tempo de espera por atendimento e o sucateamento das Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) foram o estopim de um tumulto ocorrido na noite da última quarta-feira (14), no bairro Guanabara, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo testemunhas, houve gritaria e agressões entre funcionários e pacientes na unidade que atende casos de urgência na região. O vidro de uma das portas da unidade chegou a ser quebrado, e a Polícia Militar foi acionada.

Segundo a dona de casa Jéssica Fernandes dos Santos, que desde terça-feira (13) está acompanhado a  avó de 95 anos que está internada na UAI com uma infecção sacral, a confusão teve início quando uma paciente, não identificada, chegou ao local passando mal e buscando atendimento. Como ela não conseguiu ser atendida, a mulher teria começado uma discussão  com a enfermeira. “A moça estava passando muito mal e, desesperada, perdeu o controle. Houve uma quebradeira. As bandejas com soro caíram no chão e o vidro da porta principal foi quebrado”, disse.

Outra paciente, que também esperava para ser atendida, contou que a cena foi desesperadora. “Todo mundo começou a correr. Foi uma gritaria. Mães com crianças no colo não sabiam o que fazer. Um homem, que estava ao meu lado, ameaçou buscar um revólver em casa”, revelou a mulher, que pediu para não ser identificada.

Revoltada com o estado precário da unidade, Jéssica registrou algumas imagens que mostram sucateamento da UAI e encaminhou para a redação de O Tempo Betim, na quinta-feira (15). “Não é justo pagarmos impostos tão caros e ter acesso a uma saúde tão precária. A população está saturada com tanto descaso. As macas estão enferrujadas, as cadeiras com os estofados rasgados e os armários quebrados. Além disso, faltam materiais para trabalhar, como micropores e fraldas descartáveis tamanho G”.

Para a dona de casa, a situação é absurda e inadmissível. “Não podemos aceitar tudo  isso calados. A população está cansada. Por isso, essas confusões estão a cada dia mais comuns”, completou.

Por causa da quebradeira, o atendimento na UAI Guanabara teria sido interrompido na noite de quarta-feira (14). Segundo informações obtidas pela reportagem, os funcionários estão se sentindo inseguros.

Mais confusão Já na manhã de quinta-feira (15), uma nova confusão voltou a ser registrada no local. A aposentada Nevair Ferreira, 39, contou que foi à unidade levar o seu sobrinho, mas que, ao ser informada que não conseguiria o atendimento, iniciou uma discussão com a recepcionista.

Guardas municipais que estavam no local tentaram intervir, mas a situação se agravou. “Eu estava tentando resolver o problema com a funcionária da UAI, e a guarda me agrediu verbalmente. Ela falou que lugar de doido era no Cersam (Centro de Referência em Saúde Mental)”, contou Nevair.

O repórter fotográfico de O TEMPO, Nelson Batista, que estava no local para registrar o ocorrido, acabou sendo detido. Segundo ele, a guarda Karine de Almeida Keiroz teria o proibido de fazer as fotos e o empurrado. Ao respondê-la, foi dada voz de prisão a ele. Já Karine disse em seu depoimento, na Cia. 187ª da Polícia Militar, que teria sido agredida verbalmente por Batista porque ela o teria proibido de entrar na UAI sem a  autorização da gerência. Depois de ouvidos, eles foram liberados.

Resposta Através de nota, a prefeitura negou que faltam materiais na UAI Guanabara, e que os atendimentos estão sendo realizados normalmente, mas com escala mínima devido à greve dos servidores da Saúde. Em relação ao Boletim de Ocorrência, registrado na quarta-feira (14), a gerência da unidade afirmou que a usuária não concordou com a classificação de risco e, por isso, agrediu a enfermeira. A gerência disse ainda desconhecer a situação da usuária que teria reclamado de agressão verbal. 

Problemas já duram duas semanas

As confusões nas unidades de Betim já ocorrem há duas semanas. No fim de abril, pacientes, também cansados de esperar horas por atendimento, fizeram uma manifestação na porta da UAI Teresópolis e entraram em desavença com médicos e enfermeiros. Na ocasião, um grupo de pessoas ateou fogo a pneus e madeiras, bloqueando a avenida Belo Horizonte. De acordo com funcionários, que pediram para não ser identificados, eles protestaram contra a má qualidade de atendimento e o déficit de pediatras.

Ainda em abril, desta vez na Uai Sete de Setembro, usuários revoltados com a demora ameaçaram invadir as salas de atendimento, mas foram impedidos pela Guarda Municipal. “É uma situação vergonhosa para o município. Não podemos ficar de braços cruzados”, disse o vigilante Hemerson Fonseca. A PM foi acionada nos dois casos para registrar ocorrência.  

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