Prefeitura dá reajuste de 30% para quem recebe mais de R$20 mil

Sindicato dos Servidores Municipais (Sindibel), que pede reajuste de 15% para servidores grevistas, afirma que PBH deu reajuste com retroativo à janeiro deste ano para procuradores e auditores fiscais

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Servidores municipais da saúde e do serviço social protestam na tarde desta quinta-feira (15) na praça Sete
Sindibel/Divulgação
Servidores municipais da saúde e do serviço social protestam na tarde desta quinta-feira (15) na praça Sete

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) divulgou, na tarde desta quinta-feira (15), uma tabela que mostra o que seria um dos principais motivos que levou à greve da categoria. O material, retirado do Portal da Transparência da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), mostra que cerca de 600 servidores, 1% do total, recebe salários acima de R$20 mil, alguns chegando até a quase R$40 mil. Além disso, essa minoria "rica" dos funcionários municipais teriam recebido um reajuste de aproximadamente 30%. 

A tabela usada na denúncia é referente ao salário do mês de março dos auditores fiscais e procuradores municipais. Enquanto 15.129, 36% dos servidores, ganha cerca de R$1.500 por mês, os auditores e procuradores ganham valores superiores ao salário do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que é de cerca de R$23 mil. 

"O pior de tudo é que a administração concedeu, em abril, reajuste de gratificação de 30% com retroativo à janeiro para esses trabalhadores que ganham acima do teto. Enquanto nós pedimos 15% e eles oferecem 5,56% em setembro", protestou o presidente do Sindibel, Israel Arimar. 

Ainda de acordo com a denúncia, alguns destes trabalhadores recebem até R$37 mil, muito acima do teto. Porém, o próprio Portal da Transparência já esclarece que são funcionários que recebem acima do teto por subsídio de ação judicial.

Por conta do reajuste maior para quem ganha mais e um índice inferior para os que recebem menos, os servidores em greve acreditam que essa política da PBH é desigual. "Nós não queremos um reajuste maior, como o deles, mas o mínimo que vamos exigir é o aumento que estamos pedindo desde o início da campanha salarial", salienta Arimar. 

A PBH foi procurada por O TEMPO, porém, ainda não se posicionou sobre a denúncia feita pelo sindicato. 

Protesto

Nesta quinta-feira (15), que ficou conhecida como 15M, em que protestos anti-copa foram marcados em várias partes do Brasil e do mundo, os servidores municipais da saúde e da assistência social estão concentrados na praça Sete, no Centro da capital, e sairão em passeata até a prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde.

Estes servidores estão em greve desde o dia 6 de maio e, dentre outros pontos, reivindicam reajuste salarial de 15%, aumento do vale-refeição para R$ 28,00 e melhoria das condições de trabalho. Além disso, hoje é dia dos assistentes sociais, que cobram que a PBH cumpra a lei federal que determina que a jornada de trabalho  da categoria seja de 30 horas semanais.

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