Desembarque na UFMG para fugir dos protestos

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Confronto. Em 2013,na Copa das Confederações, os limites da chamada área Fifa, no entorno do Mineirão,
tiveram que ser protegidos pela PM
Alex de Jesus - 26.6.2013
Confronto. Em 2013,na Copa das Confederações, os limites da chamada área Fifa, no entorno do Mineirão, tiveram que ser protegidos pela PM

Diante da possibilidade de protestos no entorno do Mineirão durante os jogos da Copa do Mundo, as forças de segurança do Estado e os órgãos envolvidos na organização têm realizado reuniões após reuniões para definir alternativas que evitem o encontro de manifestantes e torcedores no trajeto para o estádio, impedindo, assim, que possíveis incidentes manchem o espetáculo. Localizada ao lado do Mineirão, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é considerada ponto estratégico para o planejamento trânsito, que só será divulgado pela BHTrans nos próximos dias. O TEMPO obteve acesso a uma das possibilidades estudadas pelas autoridades. O principal plano é utilizar o campus da UFMG como ponto de embarque e desembarque dos Terminais Copa para os ônibus que chegarem pela avenida Carlos Luz. Por meio das Fans Walks, que cruzariam os portões de entrada das escolas de Veterinária, Odontologia e Farmácia, os torcedores chegariam com tranquilidade à esplanada sul do estádio. O deslocamento dos ônibus pela Carlos Luz, sentido Pampulha, seria facilitado pela demarcação de uma faixa preferencial do lado direito da via. O outro sentido da avenida – para o centro – ficaria livre para a marcha dos manifestantes, se for o caso. O problema é que a universidade seria contra a presença de forças de segurança dentro de seus limites. Na onda de manifestações do ano passado, durante a Copa das Confederações, a reitoria da universidade foi ocupada por estudantes revoltados com a presença da Força Nacional, convocada para guardar o patrimônio. Posteriormente, uma resolução do Conselho Universitário – assinada pelo então reitor Clelio Campolina, após reunião com o governador Antonio Anastasia e os ministros da Justiça e da Defesa, José Eduardo Cardozo e Celso Amorim – comprometeu-se pela não ocupação do campus pelas tropas. Com uma área do tamanho de 537 campos de futebol, a UFMG tem locais de mata que podem facilitar o acampamento de manifestantes que queiram, por exemplo, invadir a área de segurança Fifa apenas saltando o alambrado que delimita o campus. Procurada pela reportagem, a UFMG, por meio de sua assessoria de imprensa, informou apenas que está dialogando com os diferentes setores envolvidos no planejamento do evento. A universidade não vai se manifestar sobre a presença ou não de forças de segurança dentro do campus. A BHTrans, também via assessoria, explicou que o plano e mobilidade para a Copa do Mundo será apresentado em uma entrevista coletiva ainda neste mês. Ele envolve órgãos estaduais e municipais, além de especialistas em trânsito e transporte e em segurança.

Exemplo Na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, a Fifa utilizou as dependências da Escola Técnica de Johanesburgo como estacionamento para a imprensa e também para a entrada de jornalistas e torcedores no estádio Ellis Park. A escola também sediava uma tenda improvisada para os seguranças que controlavam a entrada na arena e restaurantes exclusivos para a imprensa e organizadores do evento. O local fica bem ao lado da arena.

Público Para cada um dos seis jogos da Copa no Mineirão, serão cerca de 40 mil torcedores se deslocando por transporte público, e algo em torno de 12 mil chegando a pé, de carro ou táxi, segundo levantamento da Secretaria Municipal Extraordinária da Copa. O Mineirão, com capacidade para 62.329 torcedores, tem quase todos os ingressos esgotados. Apenas o jogo entre Bélgica e Argélia tem bilhetes que ainda podem ser comprados no site da Fifa.

Escoltas Além de garantir a chegada do torcedor, as forças de segurança são responsáveis por garantir a integridade no deslocamento de delegações, autoridades e chefes de Estado. Participam da ação a Polícia Militar (PM), as polícias Federal e Rodoviária Federal, o Corpo de Bombeiros, a BHTrans e a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), órgão do Ministério da Justiça.

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