Mulheres operam os pés para conseguir usar sapatos de grife

Mudança é vista como a “última fronteira” dos procedimentos estéticos por médicos

iG Minas Gerais | Laren Stove |

Atriz norteamericana Tia Mowry-Hardrict usa sapatos Jimmy Choo
John Shearer
Atriz norteamericana Tia Mowry-Hardrict usa sapatos Jimmy Choo

Nova York, EUA. Quando o podólogo Ali Sadrieh abriu a Evo Advanced Foot Surgery, em Beverly Hills, há 13 anos, achava um pouco fútil que as mulheres quisessem operar porque os pés doíam quando usavam sapato de salto.

“As pacientes me traziam o sapato que sonhavam usar”, contou ele, em entrevista recente no St. Regis New York, onde estava hospedado para ver algumas clientes. “A princípio, parecia absurdo, mas depois percebi que precisavam do calçado para projetar autoconfiança; ele fazia parte de sua aparência. Esse é o mundo real”. Para Sadrieh, que estava usando sapatos personalizados da Gucci, a cirurgia nos pés é uma mistura de medicina e conto de fadas: em sua clínica, não há bunionectomia (cirurgia que elimina joanetes), mas um procedimento chamado Cinderela. “Nunca tive uma paciente que me pedisse ‘correção do hálux valgo com osteotomia e fixação com pino’, por isso, decidi criar um nome que simbolizasse o resultado da cirurgia, sem jargão técnico. Qual é o objetivo do Cinderela? Permitir que se calce um sapato que antes não era confortável”. Ele não é o único a se especializar nos procedimentos para os pés. Neal Blitz, médico especializado em cirurgias estéticas e reconstrutivas (incluindo a bunionplastia) e que opera não só em sua clínica, em Manhattan, como também no Mount Sinai Hospital, se refere a essa parte do corpo como “a última fronteira” para aquelas que já fizeram cirurgias plásticas em todo o resto. “Minha clínica foi invadida, tudo por causa de Manolo Blahnik, Christian Louboutin e Nicholas Kirkwood. Não existe prazer maior que poder abrir um armário de sapatos para alguém que teve que mantê-lo fechado durante anos”. De fato, é comum ver as pacientes entrando no Instituto Beauté de Suzanne Levine, uma clínica de podologia e spa medicinal na Park Avenue, com uma sacola cheia de sapatos que não podem usar por causa de joanetes e dedos deformados. Botas vitorianas, Jimmy Choos e Manolo Blahniks são só algumas das opções que mantém nas prateleiras de vidro – isso porque faz questão de checar quais as grifes que se adequam melhor a cada cliente, sabendo que tanto Prada como Michael Kors duram mais que a média das outras marcas, por exemplo. “Tem gente que não vai para a praia nem para a piscina porque tem vergonha dos pés”, conta a especialista, que usava botas da Michael Kors quando conversou comigo. Suas soluções, descritas em cinco livros com títulos como “Meus Pés Estão me Matando”, incluem, entre outras, terapia com plasma enriquecido com plaquetas; injeções de células-tronco; preenchimento injetável para acolchoamento do metatarso; botox; Dysport e Myobloc para sudorese excessiva. Dr. Scholl ou Birkenstocks? Esqueça. Para o Oliver Zong, fundador da NYC Footcare e que se denomina “criador da plástica podal”, é rotina cuidar de problemas como Pé de Salto Alto (termo que criou para descrever o pé deformado pelo uso excessivo desse tipo de sapato) e Dedo de Caroneiro (quando o dedo do pé é excessivamente grande e se destaca, como o dedão de alguém que pede carona). Recentemente criou o termo “obesidade dos dedos do pé”, descrito em seu site, que também anuncia: “pés perfeitos para sapatos de grife”.

Lipo nos pés Pedido louco. Especialista Suzanne Levine conta que uma cliente pediu para fazer uma lipoaspiração nos dedos nos pés.

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