Há algo no ar além dos costumeiros aviões de carreira

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DUKE
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Na última sexta-feira, em seu artigo “Cheiro do quê mesmo?”, a jornalista Carla Kreefft, editora de Política deste jornal, “tirou daqui, ó” a pergunta que não quer calar: “Por que será que Marina anda atirando para todos os lados? Pode ser que Marina esteja dando uma resposta mais interna do que externa. Pode ser que esteja respondendo a Eduardo Campos e sua tentativa de aproximação dos tucanos e, para tal, atingindo Aécio Neves. Mas, seja lá como for, não foi bom”. A sensação que se tem dessas quixotadas, às vezes profundamente estranhas, da agora vice (será mesmo?) de Eduardo Campos é mesmo ruim. Não há dúvida de que tem algo no ar além dos aviões de carreira. A frase é antiga, e não me lembro quem foi o primeiro que a enunciou, mas ela serve ao contexto político atual como uma luva. Com certeza, não têm sido confortáveis os encontros ou reuniões entre Eduardo Campos e sua vice. Agora, por exemplo, não satisfeita ao atingir, com um tirantaço na canela (ou no peito?), o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, a ex-ministra de Lula se voltou, em seguida, não só contra a candidatura de Pimenta da Veiga ao governo de Minas Gerais, mas contra, sobretudo, o apoio do PSB ao tucano – apoio já manifestado em Belo Horizonte, há dias, pelo próprio Eduardo Campos. Ao dizer que “o PSDB tem cheiro de derrota no segundo turno” e que “essa ansiedade tóxica de colocar o segundo turno na frente do primeiro prejudica o segundo”, Marina Silva nos traz à lembrança, leitor, esta intrigante pergunta: com quem ficará ela, caso Aécio Neves dispute o segundo turno com a presidente Dilma Rousseff? Se Eduardo Campos for para o segundo turno, não haverá outro caminho para o PSDB (e seus aliados) senão o de cerrar fileiras em torno do pernambucano. Mas, e a recíproca, será verdadeira? Marina Silva e seus companheiros apoiarão o mineiro ou retornarão ao antigo ninho? O cheiro que se sente no ar – se Aécio Neves disputar com a presidente Dilma Rousseff o segundo turno – não é mesmo nada bom, e ninguém poderá dizer que Marina Silva terá sido traidora, uma vez que o seu recado foi dado com grande antecipação. Embora critique a presidente, sua ex-companheira de ministério, de quem discordou mais de uma vez, já não terá tanta vontade de mudar o país como tem afirmado em discurso. Na semana passada, a “Folha de S.Paulo” registrou duas observações do candidato tucano que merecem não só reflexão de Eduardo Campos, mas, sobretudo, da sua vice. A primeira diz respeito às vitórias tucanas sucessivas (há mais de 15 anos) contra o PT em Minas; a segunda não deixa de ser uma advertência àquela que aparenta humildade, mas nem sempre demonstra que de fato sabe praticá-la. Em Belo Horizonte, o pré-candidato de Marina Silva ao governo do Estado de Minas Gerais, Apolo Heringer, garante que ela virá aqui com a intenção de cravar o seu nome. A pergunta que faz é a seguinte: “Como é possível apoiar Eduardo Campos fazendo aliança com o adversário (em Minas) no primeiro turno? É coisa que desafia nossa inteligência”. Todavia, o presidente do PSB em Minas, deputado federal Júlio Delgado, quer contar com a presença de Marina Silva aqui para conquistar os votos que ela teve na última eleição, mas afirma que Apolo Heringer terá que disputar votos na convenção: “Ele terá que se submeter à maioria do partido”. Desde o início, Júlio Delgado tem trabalhando intensamente para viabilizar o apoio do seu diretório à candidatura de Pimenta da Veiga.

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