Um longa em que só deviam viver os monstros

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Sem personagens fortes, Godzilla se torna o grande herói do remake
Warner / Divulgação
Sem personagens fortes, Godzilla se torna o grande herói do remake

A primeira (e mais importante) informação que você precisa saber sobre “Godzilla” é: em hipótese alguma, assista ao filme em 3D. O grande, e único, motivo para ver o longa são os enormes monstros e as incríveis cenas de luta entre eles. Elas acontecem quase sempre à noite, em climas nublados, chuvosos e cinzentos – e, com a pouca luminosidade do 3D, é quase impossível aproveita-las.

Dito isso, o maior problema da produção do diretor Gareth Edwards está explícita no parágrafo acima. O elemento humano da história, se não inexistente, é totalmente abandonado com o desenvolver da trama. Quem vai curtir o filme são aqueles que não se importam com mais nada, a não ser monstros gigantes se atracando e destruindo cidades ao redor do globo.

O roteiro parte de um acidente em uma usina nuclear em que Joe (Bryan Cranston) perde sua esposa Sandra (Juliette Binoche). Anos mais tarde, ele e seu filho Ford (Aaron Taylor-Johnson) descobrem que o incidente pode ter sido causado pelo surgimento de um novo monstro, um “Muto”, que atrai o retorno do Godzilla do título.

A trama é puro blablablá pseudocientífico e antinuclear que serve de desculpa para as criaturas quebrarem tudo no final – similar ao original de 1954 que, pelo menos, tinha personagens com motivações claras.

Indicada ao último Oscar, Sally Hawkins está no filme simplesmente para servir de plataforma, fazendo perguntas ao cientista Ichiro Serizawa (Ken Watanabe), que permitem que ele explique o que está acontecendo, e por que, ao espectador.

Da mesma forma, “Godzilla” abre mão de seu melhor personagem, Joe, para tentar fazer de Ford um protagonista que nunca convence. Chega um momento em que a distensão temporal da montagem deixa o militar tão de lado, e a história o obriga a fazer coisas tão sem sentido, que parece que ele simplesmente não faz muita questão de voltar para a família.

Sua trajetória é uma “Odisseia” sem motivação ou arco bem-definidos. E a promissora atriz Elizabeth Olsen tem o papel mais ingrato do cinema, o da mocinha sofrida à espera do herói – e um herói que nem vale tanto a pena assim.

O mais surpreendente é que o diretor Gareth Edwards foi contratado para a produção após a boa recepção crítica ao seu primeiro longa, “Monstros”. E o grande mérito do filme era justamente conciliar o drama da jornada de seus protagonistas com as criaturas do título. 

Outros lançamentos

Semana de muitas estreias nos cinemas de Belo Horizonte. Só de nacionais, são cinco num total de nove. Além de “Praia do Futuro”, os outros filmes brasileiros a entrar em cartaz são “Olho Nu”, documentário sobre Ney Matogrosso, “Do Lado de Fora”, “Trampolim do Forte” e “Operários da Bola”, sobre a construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Entre os que vêm de fora, além de “Godzilla”, estreiam o paraguaio “7 Caixas”, “A Recompensa”, com um Jude Law irreconhecível, e o aguardado “Sob a Pele” em que Scarlett Johansson aparece nua.

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