Lembranças dos pracinhas

Teatro União e Olho Vivo volta ao festival para apresentar história dos combatentes da FEB na II Guerra Mundial

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Memória. Em sua criação, grupo fez pesquisa histórica em busca de referencias musicais, políticas e de comportamentos dos anos 1940
TUOV DIVULGAÇÃO
Memória. Em sua criação, grupo fez pesquisa histórica em busca de referencias musicais, políticas e de comportamentos dos anos 1940

A história costuma contar a ida de soldados brasileiros ao velho continente na segunda guerra mundial com surpreendente bom humor ao falar de homens que arriscavam suas vidas. Não é por acaso que se deu o nome “pracinhas” para os membros da Força Expedicionária Brasileira, FEB, que embarcou para a Europa para defender os aliados (França, URSS, EUA e Reino Unido). Para contar um “outro lado” dessa história, o Teatro União e Olho Vivo (TUOV) apresenta “A Cobra Vai Fumar - Uma Estória da FEB”, dentro da programação do FIT.  

“Fomos atrás de histórias dos próprios pracinhas. Tivemos a valorosa assessoria do Clóvis Garcia, um ex-pracinha, que contou muitas histórias e nos cedeu uma fita com muitas horas de gravação de áudio. É curioso notar que os combatentes não tinham a menor ideia do que iriam encontrar na Europa e partiam com o risco de não voltar para casa”, revela Cesar Vieira, diretor do espetáculo e do grupo paulistano.

Em seu processo de construção, o grupo procurou também músicas da época, registros históricos e do contexto político do Brasil da época. “A grande contradição é por que Getúlio Vargas, um ditador, decidiu apoiar os países que lutavam pela democracia e contra os ditadores: Hitler e Mussolini? Há rumores que foram os Estados Unidos que forçaram a participação efetiva do Exército brasileiro do lado dos aliados” , revela Vieira.

A peça que estreou no Porto Alegre Em Cena, em novembro de 2013, passou por um modus operandi já tradicional do TUOV. “Primeiro elegemos qual seria nosso tema. Estávamos entre a FEB, o Friedenreich (primeiro grande jogador brasileiro de futebol. Apesar do nome alemão, era um brasileiro mestiço) e a Deixa Falar, primeira escola de samba do Brasil. O grupo se dividiu para apresentar situações dramáticas de cada temática. Depois de escolhido o assunto da montagem, passamos para pesquisas e a comissão de dramaturgia, da qual faço parte, elabora um primeiro borrão, um quadro dramático – que é a primeira versão do espetáculo”, explica o diretor.

Histórico. Com quase 50 anos de vida, o Teatro União e Olho Vivo tem uma característica precursora fundamental. Ele é o primeiro grupo que se dedicou a fazer teatro nas periferias ou – como prefere Vieira – “bairros populares” da Grande São Paulo. E continua fazendo isso até hoje. “90% das nossas apresentações são nesses bairros”, garante Vieira.

Também formado por atores que necessitam tirar seu sustento com outras atividades profissionais, o coletivo se reúne em finais de semana e algumas vezes durante a semana à noite. “Nossas apresentações acontecem no final de semana apenas porque é impossível para um morador de um bairro popular se deslocar de sua casa para um teatro na região central da cidade, por exemplo. Além disso, os teatros ostentam um requinte que não atrai esse tipo de público. Sem contar a quantidade de atrativos que dispersam o público. O futebol é um deles”, ressalta o diretor.

Falando em futebol, foi justamente a temática futebolística responsável pelo nascimento do grupo. “Corinthians, meu Amor”, peça de 1967, deu o pontapé nas atividades do TUOV na periferia. “Tinha uma aceitação muito grande nos bairros de periferia, justamente por essa temática que é tão popular”, finaliza Vieira.

É a segunda vez que a companhia vem ao FIT. Em 2008, o Uni]ao e Olho Vivo trouxe o espetáculo “Barbosinha Futebó Crubi”, que traçava um retrato de Adoniran Barbosa. Na edição deste ano, o grupo – seguindo suas melhores tradições – fará apresentações em bairros da periferia de Belo Horizonte.

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