Irã e potências mundiais começam a redigir acordo nuclear definitivo

Diplomatas de ambos os lados disseram que querem resolver todos os pontos mais difíceis sobre questões como a capacidade do Irã de enriquecer urânio

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Seis potências mundiais e o Irã começaram nesta quarta-feira (14) a definir um acordo final sobre a atividade nuclear iraniana.

Após meses de discussões e de alguns avanços, Teerã e o grupo 5+1 (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) começam a redigir o texto de um acordo definitivo.

As potências querem que o Irã concorde em cortar radicalmente seu programa de enriquecimento de urânio, o qual temem que possa levar à produção de bombas atômicas, ao passo que o Irã deseja a eliminação das sanções contra o país, cuja economia é baseada no petróleo.

A República Islâmica diz que quer apenas energia nuclear pacífica.

Diplomatas de ambos os lados disseram que querem resolver todos os pontos mais difíceis sobre questões como a capacidade do Irã de enriquecer urânio e o futuro de suas instalações nucleares, assim como um cronograma para o alívio nas sanções até o dia 20 de julho.

Após esse prazo, o acordo interino firmado em novembro entre as partes vai expirar e sua prorrogação provavelmente complicaria as negociações. Mas um acordo em dois meses ainda está longe de ser assegurado, já que diplomatas ocidentais alertam que certas diferenças podem ser intransponíveis.

"Francamente, isso é muito, muito difícil", afirmou uma autoridade sênior dos EUA a repórteres antes do começo das conversas, sob condição de anonimato.

O ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, advertiu ao chegar à reunião que "a redação do texto do acordo precisará de muito esforço".

Um porta-voz da chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que coordena a diplomacia com o Irã em nome dos seis países, disse que os negociadores tiveram uma "discussão inicial útil" na manhã de hoje horário local) e que realizariam encontros de coordenação mais tarde.

As negociações, iniciadas ontem em Viena, conseguiram avançar em alguns pontos conflitivos, como o reator de água pesada de Arak.

Esta instalação, situada 240 quilômetros a sudoeste de Teerã, pode fornecer teoricamente ao Irã uma alternativa ao urânio enriquecido com o objetivo de obter a bomba atômica.

Teerã afirma que o reator serve apenas para pesquisa, em especial, médica. Diante do ceticismo das grandes potências, o país propôs modificar a concepção do reator com o objetivo de limitar o plutônio produzido.

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