O errado hoje é o certo amanhã

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Quando termina uma Copa, muitos fatores que tinham pouca ou nenhuma importância são exaltados. As mesmas posturas, elogiadas em uma ocasião, são criticadas em outras, de acordo com o resultado. Tudo é incerto.

Por esses e por outros motivos, o que mais gosto no futebol é do que não tenho certeza, do que não compreendo bem, do que não aparece nas estatísticas, do que não foi, mas poderia ter sido. Mas como sou também um analista racional, operatório, não ignoro os fatos, os números. Acompanhei as últimas cinco copas, como comentarista, colunista. Vi todos os jogos do Brasil nos estádios e assisti, desde o início, a todos os treinos que antecederam as competições. Apenas na Copa de 1994, vi os jogos pela TV, pois trabalhava no centro de imprensa de Dallas. Em 2002, sob o comando de Felipão, foi a única vez, nesses anos, que a seleção não se hospedou, para os treinos, antes dos jogos, em um hotel privado. Ela ocupava dois ou três andares de um hotel, em uma cidade da Coreia do Sul. Nos outros, estava a imprensa e os demais hóspedes. Todos os dias, pela manhã (no Brasil, era noite), os jogadores e a comissão técnica passavam pelo hall do hotel, até o ônibus, para ir treinar. O Jornal Nacional, da TV Globo, entrava ao vivo. Se o Brasil não tivesse vencido, certamente, haveria muitas críticas ao fato de a seleção não ter se hospedado em um hotel privado. Em 1970, ficamos em hotéis reservados. Já em 1966, em Liverpool, o hotel estava repleto de hóspedes. Dizem que Garrincha e alguns jogadores iam, de madrugada, ao movimentado bar. Nunca vi. De vez em quando, antes de dormir, eu ia ao bar para escutar música, ao piano. Em 2006, o Brasil ficou em um hotel privado, em Weggis, na Suíça, antes da Copa. Os treinos ficavam lotados de torcedores. Aplaudiam, vaiavam. Uma jovem invadiu o campo para beijar Ronaldinho. Evidentemente, essa balbúrdia foi ruim para a seleção. Mas não foi o principal problema. Em outros mundiais, ocorreu o mesmo, como na Copa de 1970. Os motivos principais da derrota em 2006 foram o bom time da França, o show de Zidane, a má forma de alguns jogadores e o mau posicionamento tático de Ronaldinho e Kaká, pelos lados, com função também de marcar os laterais. A relação da imprensa com a seleção, nas copas, foi muito variada. Isso não teve importância nos resultados. A relação mais conturbada foi em 2010. Dunga não tratou a TV Globo como inimiga, como falam. O incidente com um repórter da emissora poderia ter acontecido com qualquer outro. Contrariando a CBF, Dunga atendeu toda a imprensa do mesmo jeito, sem privilégios e sem exceção. Foi duro e tratou mal a todos. Trabalhava no limite entre a rigidez de suas crenças e ações e a intolerância a tudo que não concordava.

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