Quem morreu de velho?

iG Minas Gerais |

Alex de Jesus – 27.1.2011
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Oito em cada dez carros não têm seguro em Minas Gerais”. Essa foi a manchete estampada em recente edição de O TEMPO, revelando que o mercado de seguros no Estado tem grande potencial para crescer. “Seguro de carro é como plano de saúde, sempre é bom ter, mas o melhor é não precisar usar”, observa cauteloso o empresário Hélio Marcasa, da Promoar, empresa especializada em balões promocionais, que faz seguro de todos os seus carros. Mas nem todo mundo pensa da mesma forma. Um conhecido médico de Belo Horizonte, que prefere não se identificar, é proprietário de um reluzente modelo Mercedes-Benz, novo, e ao contrário do que se possa imaginar pelo alto valor do bem, o bólido não é segurado. “Não tenho e nunca tive costume de fazer seguro dos meus carros. Vou pelo histórico de envolvimento em algum sinistro: como é baixo ou quase nulo, entendo que o risco seja pequeno e por isso minha opção é seguir assim”, confessa, convicto que escolheu a melhor opção. O corretor William Moura, da Teixeira Santos, estabelecido há anos no mercado segurador, observa que, em sua carteira de clientes, a maioria esmagadora é composta de automóveis de entrada. “Esse consumidor quer preservar seu investimento, feito com dificuldade, e prefere investir mais um pouco e sair da concessionária com a garantia de que seu precioso carro está 100% seguro”. Dentro do mesmo raciocínio, William revela que, na outra ponta, os mais endinheirados são mais resistentes na contratação de serviço de seguro. “A experiência nos mostra que o consumidor de maior poder aquisitivo prefere correr o risco de assumir o valor de um conserto e acredita que, por ser seu automóvel um produto de pouco interesse para o mercado repositor de peças, não vale a pena arcar com os custos do seguro”. Ele termina comentando que a inadimplência no pagamento do IPVA é recorrente entre os proprietários de carros e valor mais alto, principalmente importados. Ainda abrindo o espaço para o profissional do ramo, Marcos Ribeiro emite sua opinião. “Sempre respeitei as opiniões das pessoas em relação a fazer seguro ou bancar o risco”, diz Marcos Ribeiro - sócio da MR&4 Corretagem de Seguros e com 35 anos de vivência no mercado segurador. “Mas desde que tenham recursos suficientes para arcar com eventuais prejuízos causados a terceiros”, completa Ribeiro. Segundo ele, uma coisa é a pessoa bater o carro e não ter dinheiro para o conserto. Outra é bater em outro carro e não ter como indenizar esse terceiro. E isso fica ainda pior quando há vítimas, diz o corretor, que defende uma ampliação dos valores e coberturas do Seguro Obrigatório (DPVAT) para Danos Materiais e Corporais. “Ajudaria a amenizar a dor das famílias e as impunidades em acidentes de trânsito”, finaliza. Segundo o Sindicato das Seguradoras de Minas Gerais (Sindiseg), em torno de 29% da frota brasileira está segurada no país. Em Minas, o total chega à casa dos 20%. Na verdade, muitas pessoas preferem contar com a sorte. Acreditam que seguro é gasto, não investimento em segurança. Argumento baseado em mercados como o dos Estados Unidos, onde a frota circulante tem quase a totalidade segurada, cai por terra quando são cotejados os valores do seguro cobrados lá e cá. A começar pelo índice de roubos de veículos naquele país, próximo do zero, enquanto no Brasil os números seguem em crescimento vertiginoso. Outra peculiaridade que incide sobre o custo do serviço está na quantidade de fraudes que as seguradoras precisam enfrentar, que geram custos que acabam sendo repassados e oneram o valor final, que poderia ser menor, não fosse a aplicação da nefasta “Lei de Gerson”, em que o que interessa é levar vantagem. O assunto polêmico, com opiniões divergentes, nos fará voltar ao tema.

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