Pesquisa explica por que, apesar de gordo, urso polar é saudável

Entender a forma com que corpo do animal lida com colesterol pode ajudar medicina

iG Minas Gerais |

Únicos. Ursos polares, ao contrários dos “primos” ursos pardos, têm genética que permite o sobrepeso com saúde
Michael Sohn
Únicos. Ursos polares, ao contrários dos “primos” ursos pardos, têm genética que permite o sobrepeso com saúde

No que diz respeito à alimentação saudável, os ursos polares quebram todas as regras. Eles comem, sobretudo, gordura, mas não têm doenças cardíacas da forma que nós, humanos, teríamos se seguíssemos a mesma dieta. Cientistas afirmaram que a razão está nos genes dos ursos, segundo artigo publicado na última semana na revista “Cell”.

Alguns truques evolutivos, particularmente nos genes que atuam na forma como as gorduras são metabolizadas e como são transportadas no sangue, permitiram aos ursos polares sobreviver no Ártico, explicaram.

Os ursos polares comem, sobretudo, focas, ricas em gordura, e amamentam seus filhotes com leite também rico em gordura. Cerca da metade do peso total dos ursos é composta de gordura e não de músculos e ossos. Comparativamente, o percentual de gordura de uma pessoa saudável pode variar entre 8% e 35%.

“A vida de um urso polar gira em torno da gordura”, disse Eline Lorenzen, pesquisadora da UC Berkeley e uma das principais autoras do estudo. “Para os ursos polares, a obesidade profunda é um estado benigno”, acrescentou Lorenzen. “Nós queríamos entender como eles conseguem lidar com isto”.

Único mamífero. A diferença genética que permite a “gordura saudável” do urso polar ocorreu nos últimos 500 mil anos, depois que os ursos polares se separaram de seus primos, os ursos pardos, de acordo com um estudo que comparou os genomas dos dois animais.

Os cientistas descobriram que os ursos polares são muito mais jovens do que se pensava anteriormente, já que estimativas anteriores situavam a época de separação entre os ursos polares e os ursos pardos entre 600 mil e 1 milhão de anos atrás.

“É realmente surpreendente que o tempo de divergência seja tão curto”, afirmou Rasmus Nielsen, professor de biologia integrativa e estatística da Universidade da Califórnia em Berkeley. “Todas as adaptações únicas que os ursos polares têm no ambiente do Ártico devem ter ocorrido em um período de tempo muito curto”, disse.

Genes. Um dos genes mais intensamente selecionado é o APOB, que nos mamíferos codifica a principal proteína do colesterol “ruim”, conhecido como LDL (lipoproteína de baixa intensidade), permitindo que se mude do sangue para as células. Alterações neste gene sugerem como o urso polar consegue administrar açúcar e triglicerídeos altos em um nível que seria perigoso para o ser humano.

Humanos

Avanço científico. Os autores do estudo afirmaram que, um dia, as secreções digestivas do urso polar poderão ajudar a melhorar a saúde das pessoas em uma época de obesidade crescente.

Flash

Dados. Os pesquisadores compararam amostras de sangue e tecido de 79 ursos polares da Groenlândia com material de 10 ursos pardos de diversos países.

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