Após acidente, atleta deixa de andar, mas volta a competir

Miriam estava em um ônibus que bateu em uma carreta em fevereiro de 1997

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Atleta Lais Souza está se recuperando de uma lesão na coluna
BiomeUMiami
Atleta Lais Souza está se recuperando de uma lesão na coluna

“Meu Carnaval foi pro saco!” Esse foi o primeiro pensamento da nadadora Miriam Barsanti, depois que o ônibus em que viajava de Belo Horizonte para São Paulo se envolveu em um acidente de trânsito em 1997. Mal sabia ela que não era somente o Carnaval que estava perdido. O acidente tirou de Miriam, então com 31 anos, também o movimento das pernas.

Ela e uma amiga iam passar o feriado em Florianópolis e iriam encontrar outros amigos em São Paulo, de onde seguiriam de carro. Durante a madrugada, o motorista cochilou ao volante, o ônibus colidiu de frente com uma carreta de minério e entrou 3 m no caminhão. Miriam ficou três horas e meia presa dentro das ferragens, quebrou os dois fêmures em duas partes, esfarelou as tíbias e teve a nona vértebra torácica (T9) da coluna triturada, além de ter perdido o baço e ter contraído uma infecção generalizada. A amiga que estava com ela não resistiu ao acidente.

A nadadora conta que, quando acordou do desmaio provocado pelo choque, não percebeu a gravidade da situação. “Pensei ‘que acidente feio’, e comecei a chamar pela minha amiga. Eu só conseguia ver as minhas pernas presas e retorcidas e pensava ‘a ortopedia dá um jeito, depois remenda tudo’”, lembra. Ela, então, fechou os olhos e dormiu por 18 dias. Foi levada para um hospital de Pouso Alegre e, depois, transferida para a capital. De hospital em hospital, Miriam ficou internada cerca de dez meses e só voltou para casa em dezembro de 1997, pouco antes do Natal.

Subida. A partir daí, Miriam começou seu processo de recuperação. Em fevereiro de 1998, voltou para a faculdade de administração, deixada de lado depois do acidente. Formou-se no final de 2001. No fiml de setembro de 1998, ela pode voltar às piscinas e, em 2002, voltou a competir na categoria master (para pessoas acima dos 21 anos). “Na água eu sou livre, não dependo de ninguém. Lá eu sou normal”, afirma.

Nadando regularmente desde 2006, quando seu quadro se estabilizou, ela chegou a ser a segunda atleta de sua categoria no ranking nacional. Em 2011, ficou em terceiro lugar no nado costas e na modalidade borboleta.

Hoje com 48 anos, Míriam tem uma rotina pesada de treinos: além de nadar quatro vezes por semana, faz musculação três vezes por semana na academia Bodytech e faz fisioterapia diariamente. Determinada, Miriam ainda não perdeu as esperanças de voltar a andar. “Eu já consegui caminhar com o andador, mas tive que parar porque meu fêmur deu um novo problema, e eu estou com artrite nos ombros. Mas eu continuo fazendo fisioterapia porque vêm aí os aparelhos de robótica. Não tenho chance de me tratar com células-tronco porque minha medula necrosou após uma ressonância magnética. Mas, já que esse caminho barrou, vamos correr atrás de outro sonho”, afirma.

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