Quando uma série termina sem final

Maldição de “a nova ‘Lost’” paira sobre roteiros de ficção e suspense

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Acaba, mas não encerra. “Revolution”, com Tracy Spiridakos e Billy Burke, vai terminar sem explicar como a energia do mundo acabou e por que algumas pessoas têm o poder de trazê-la de volta
NBC/Divulgação
Acaba, mas não encerra. “Revolution”, com Tracy Spiridakos e Billy Burke, vai terminar sem explicar como a energia do mundo acabou e por que algumas pessoas têm o poder de trazê-la de volta

Quase sempre é assim: antes de uma série de ficção/suspense/mistério estrear, já começa a fama de “a nova ‘Lost’”; o primeiro episódio cria um zunzunzum na internet, blogs, redes sociais e tal, mas a partir do segundo ou terceiro, a audiência só vai caindo e as críticas, piorando. Antes que a temporada chegue ao fim, aquele programa – que nem era tão bom mas tem lá sua meia dúzia de fãs cativos – é sumariamente encerrado. E quem gostava fica sem saber que rumo tomaram os seus personagens ou até o que aconteceu com o planeta Terra.

“FlashForward” começava com uma espécie de apagão no mundo todo. As pessoas permaneceram desmaiadas por cerca de dois minutos, período no qual tiveram visões (os tais “flashes forward”) de acontecimentos de sua vida seis meses depois. O personagem principal era Mark Banford (Joseph Fiennes), agente do FBI que vê, no futuro, sua própria morte. Quase todos os personagens passaram a primeira e única temporada tentando mudar ou escapar do seu destino. Adivinha? Quem viu até o fim deve estar discutindo até hoje se Mark Banford morreu mesmo ou não, porque o roteiro deixou esse enorme buraco, disfarçado de estímulo à imaginação do espectador: a série terminou como começou, com outro apagão.

Agora é a vez, entre outras, de “Dracula”. Belíssimo novo olhar dirigido ao personagem do romance de 1897, a série enfrentou problemas desde o início. A começar pelo ator principal, Jonathan Rhys Meyers. Dizem que ia trabalhar tão “doidão” que a emissora NBC começou a reter seus pagamentos e iria liberá-los depois que ele gravasse todos os capítulos. Nem isso adiantou. “Dracula” foi oficialmente cancelada nesta semana.

A ver navios também ficarão os fãs de “Revolution” e “Believe”, ambas com a grife de J.J. Abrams e a maldição de “nova ‘Lost’”. Ainda faltam quatro episódios para que a segunda temporada de “Revolution” se encerre nos Estados Unidos, mas a NBC confirmou que não haverá terceira – mesmo com a média de 7,5 milhões de telespectadores, de dar inveja em canais concorrentes como o CW e superior à de séries renovadas da própria NBC, como “Hannibal”. Dificilmente as poucas horas que restam serão suficientes para explicar como e por que o mundo está há 15 anos sem energia, ou por que a menina paranormal de “Believe” era tão especial. Mas isso, ao que parece, pouco ou nada importa.

A lista cresce com outros finais que nunca entenderemos: “Terra Nova”, que tinha inclusive, Steven Spielberg como um dos produtores; “Heroes”, “Off the Map”, “V”, “Alcatraz”... Se você estava com medo que sua série favorita tivesse o mesmo destino triste, confira na relação ao lado os cancelamentos anunciados nos últimos dias.

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