Reflexões sobre arte popular

Desafios atuais do segmento, políticas públicas e a importância dos mestres serão temas de seminário na cidade

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Memória. Apresentação do grupo Meninas de Sinhá, no evento, homenageia ex-líder, Dona Valdete
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Memória. Apresentação do grupo Meninas de Sinhá, no evento, homenageia ex-líder, Dona Valdete

Apesar de o Brasil ser um país em que a arte popular está presente em diversas manifestações, como no folclore, na dança, na culinária e no canto, ser reconhecida é um dos principais desafios que o segmento enfrenta. É assim que pensa José Márcio Barros, curador do I Seminário de Arte Popular, que será realizado hoje e amanhã no Centro de Arte Popular – Cemig. “Não me refiro a reconhecimento apenas de instituições, mas da própria sociedade”, diz.

Essa questão é uma entre as que o seminário irá tratar no primeiro dia. Guiado pelo tema “O Popular no Mundo Contemporâneo”, o debate terá como convidados a etnomusicóloga Glaura Lucas e o mestre em antropologia Marcelo Manzatti.

Para Barros, outro desafio que permeará as discussões dos seminário está nas formas de financiamento disponíveis atualmente para artistas populares. “Os processos mais rápidos de produção acabam colocando as manifestações mais tradicionais, que ainda têm uma relação direta entre o sujeito e a obra, sem recursos. Assim, os artistas vão ficando cada vez mais invisíveis e dependentes de políticas públicas”, diz o curador.

Políticas que, afirma Barros, estão satisfatoriamente representadas em Minas Gerais pelos programas voltados para a prevenção do patrimônio imaterial, pelo estímulo de formação de bandas de música pelo interior do Estado e pelos pontos de cultura espalhados por Belo Horizonte. Porém, segundo ela, isso não é o suficiente. “É preciso que haja políticas voltadas para o intercâmbio de modelos de administração e de valorização para os mestres”, defende.

O trabalho em torno dos artistas seniores é considerado tão importante que o segundo dia do seminário será dedicado a questões relacionadas exclusivamente a eles. Com o tema “As Vozes e os Saberes dos Mestres”, a mesa será composta pelo pesquisador de campo e gabinete, músico e sacerdote Frei Chico e pelo artista e professor Gil Amâncio.

“Além de terem o reconhecimento da comunidade em que vivem, os mestres são o responsáveis por passar oralmente os ensinamentos adiante. Se não tiverem o apoio necessário, podem morrer sem passar esse conhecimento adiante”, alerta Barros, que aproveita para dar sua sugestão: “Eles deveriam se tornar professores de cultura popular nas escolas e assim ajudariam também na educação e conscientização”.

Realizado pelo Ministério da Cultura e a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, o seminário é aberto para participação do público em geral. A ideia é que profissionais da área, artistas e interessados possam contribuir com opiniões para formular novas propostas para que os artistas dessa área “possam sobreviver dignificante com aquilo que fazem”, afirma Barros.

Para encerrar a programação, haverá uma apresentação do grupo Meninas de Sinhá, em homenagem à ex-líder do grupo, Dona Valdete, morta em janeiro deste ano.

Agenda

O quê. I Seminário de Arte Popular

Quando. Hoje e amanhã, às 19h

Onde. Centro de Arte Popular – Cemig (rua Gonçalves Dias, 1.608, Funcionários)

Quando. Entrada franca

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