Sem coletores de agulhas, PBH pede 'criatividade' de servidores

Gerência de Atenção a Saúde da Regional Centro-Sul pediu que seringas usadas na campanha contra a gripe fossem descartadas em caixas e galões

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Este é o equipamento que deveria ter sido adquirido pela prefeitura para coletar materiais descartáveis
Sindibel/Divulgação
Este é o equipamento que deveria ter sido adquirido pela prefeitura para coletar materiais descartáveis

Os centros de saúde da região Centro-Sul de Belo Horizonte foram orientados a utilizar a “criatividade” para superar a falta de coletores para material perfurocortante – equipamento usado para descartar, entre outras coisas, agulhas usadas nas campanhas de vacinação –, forçando servidores municipais à utilizarem caixas duras e galões para acondicionarem materiais que poderiam estar infectados.

A denúncia foi feita à imprensa, na tarde desta terça-feira (13), pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), que teve acesso à um comunicado enviado pela Gerência de Atenção a Saúde da Regional Centro-Sul (GERASA-CS).

No e-mail encaminhado às unidades de saúde da região, a gerente afirma que "não há previsão de compra de Descarpack (nome de uma marca dos coletores) para a campanha", se referindo à campanha de vacinação contra a gripe que está acontecendo. Após afirmar que o pedido da compra foi feito, mas não efetivado, a gerência afirma que não há a possibilidade de não abertura da sala de vacinas pela falta do equipamento. 

"Por favor, coloquem em caixas box, caixas duras e galões. Neste momento solicito que usem a criatividade. Tudo isso não comprometendo a biossegurança", finaliza o comunicado. Ainda conforme o Sindibel, os coletores são utilizados para a coleta e descarte de materiais hospitalares perfurocortantes, como agulhas, seringas e ampolas, sendo considerado essencial para prevenir a contaminação, tanto dos trabalhadores quanto dos usuários de saúde. 

O sindicato teria encaminhado à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), há cerca de dois meses, um ofício chamando a atenção para os riscos da falta do equipamento em diversos centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPA's) da cidade. Ainda de acordo com o Sindbel, semanas antes do início da campanha nacional de vacinação contra a gripe um novo ofício foi encaminhado, já que com a campanha os funcionários ficariam ainda mais expostos à contaminação pela falta dos coletores. 

A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada, mas, até o momento, não respondeu às denúncias do sindicato.

Acúmulo de notas sem pagar

Em contato com uma das empresas que fornecem os coletores para a prefeitura, a CenterLab, o sindicato teria sido informado que a entrega do material foi interrompida por conta de um acúmulo de notas não pagas pela PBH.

O Sindibel teria recebido a informação de um servidor da Secretaria de Saúde que seria ligado à compra de materiais hospitalares. O funcionário ainda teria denunciado que o problema não está ocorrendo somente com os coletores, mas também na compra de outros materiais na área da saúde.

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