Eleição custa mais que obras de mobilidade da Copa

Volume de recursos contabilizados com campanha, fundo partidário e isenções fiscais representam R$ 9,5 bilhões nos últimos quatro anos

iG Minas Gerais | Da Redação |

Um levantamento da organização não governamental "Contas Abertas" divulgado nesta terça-feira mostra que o último ciclo eleitoral no Brasil custou R$ 9,5 bilhões, o que representa mais do que foi investido em 45 obras de mobilidade para a Copa do Mundo. A conta leva em consideração o ciclo completo para presidente, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores nos últimos quatro anos. Inclui as doações recebidas pelos partidos políticos, o fundo partidário, que sai dos cofres do governo para as legendas, e as isenções fiscais concedidas às emissoras de televisão e rádio para que veiculem o horário eleitoral gratuito. De acordo com o estudo, só as receitas das campanhas eleitorais nos pleitos de 2010 e 2012 representaram R$ 6,3 bilhões. Além disso, entre 2010 e 2013, R$ 2 bilhões deixaram de ser arrecadados aos cofres públicos por conta do horário eleitoral na televisão. É que, na prática, a propaganda não é gratuita para a população. Em troca da cessão do espaço em sua programação, cada emissora de rádio ou de TV deixa de pagar uma cerca quantia de impostos. Para se ter uma ideia de quanto isso custa, outros R$ 839,5 milhões devem deixar de ir para os cofres públicos em 2014. O Fundo Partidário também é uma verba que sai diretamente do Tesouro para os partidos políticos. Ele é formado a partir de dotações do Orçamento da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros atribuídos pela lei. No período de quatro anos foram repassados R$ 1 bilhão às legendas, distribuídos de acordo com a votação anterior à Câmara. Em conversa com o "Contas Abertas" o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília, destacou que os interesses econômicos envolvidos no pleito se refletem nesses números. "A prática das eleições sofre influência econômica porque os partidos e candidatos possuem interesses e necessidades e atuam de acordo com essas características”, afirma o professor, que alerta: “Esses são os recursos públicos do ciclo eleitoral e não deveriam depender dos desmandos de partidos. A má utilização desses recursos produz efeitos negativos numa democracia, que como a nossa depende do sistema econômico para ser efetiva”.