Russos protestam contra vitória de drag queen no Eurovision

O deputado Valeri Rashkin pediu que o país deixasse o festival para organizar uma competição paralela chamada "Voz da Eurásia"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Conchita Wurst dedicou a vitória no festival -que acontece desde 1956 no continente- aos que acreditam
DIVULGAÇÃO / FACEBOOK
Conchita Wurst dedicou a vitória no festival -que acontece desde 1956 no continente- aos que acreditam "em um futuro sem discriminação"

Vários deputados russos propuseram a criação de sua própria versão do festival de música Eurovision, depois da vitória da drag queen barbada Conchita Wurst na última edição. Wurst representou seu país, a Áustria, na cerimônia que aconteceu no último domingo (11) na capital dinamarquesa Copenhague. Sua vitória, porém, desencadeou inúmeras críticas na Rússia.

O deputado Valeri Rashkin pediu que o país deixasse o festival para organizar uma competição paralela chamada "Voz da Eurásia". "O resultado do último Eurovision foi a gota d'água", disse Rashkin no Parlamento. "Temos que deixar esse concurso, não podemos aguentar mais esta loucura", acrescentou o parlamentar, citado pela agência russa Interfax.

"Não querem nossas meninas porque não têm barba", ressaltou o deputado Oleg Nilov, do partido Rússia Justa. "Não gostam de nossas músicas", lamentou Nilov antes de entoar uma canção popular no plenário. A Igreja Ortodoxa russa considerou que a vitória da drag queen no Eurovision "foi um passo a mais na rejeição da identidade cristã na cultura europeia". Centenas de internautas e algumas celebridades russas também protestaram contra Wurst, publicando fotos em que se barbeiam.

"Faça a sua barba também como protesto", escreveu um internauta, usando a hastag #dokajichtotyneconchita ("prove que não é Conchita"). "Decidi me barbear porque a comunidade LGTB defendeu seus interesses", comentou o cantor russo Dominik Djoker ao jornal popular "Tvoy Den". Também houve quem apoiasse a austríaca, como a cantora de ópera Anna Netrebko.

Os militantes dos direitos dos homossexuais, bissexuais e transexuais anunciaram uma Marcha de Mulheres e Homens Barbudos em Moscou no dia 27 de maio, para lembrar o 21º aniversário da descriminalização da homossexualidade no país.

A comunidade GayRussia.ru indicou que está aguardando a autorização para o ato na capital russa. O país enfrenta diversos protestos desde que aprovou a lei anti-gay no ano passado. A lei dá legitimidade à homofobia e concede amparo legal para extremistas.

Vitória

Conchita Wurst dedicou a vitória no festival -que acontece desde 1956 no continente- aos que acreditam "em um futuro sem discriminação", além de afirmar ser o prêmio uma mensagem para alguns políticos, como o presidente russo Vladimir Putin. "Não foi uma vitória apenas para mim, mas para quem acredita em um futuro que funciona sem discriminação e baseado na tolerância e no respeito", respondeu durante uma entrevista coletiva após seu retorno a Viena, Áustria.

A artista,"alter ego" do cantor Tom Neuwirth, foi recebida no aeroporto de Viena por milhares de fãs que não paravam de cantar "Rise Like a Phoenix", canção com que conquistou o segundo triunfo da Áustria em Eurovision -o primeiro foi em 1966. Conchita Wurst é um personagem criado por Neuwirth, um estilista de moda e cantor homossexual de 26 anos.

Após ficar em segundo lugar em "Starmania", um programa caça-talentos da TV pública austríaca em 2006, Tom participou brevemente de um grupo musical. Em 2011, o artista se reinventou e apareceu em um novo concurso já como Conchita Wurst. Ele explica que Conchita surgiu como uma resposta à intolerância que sofreu na adolescência por ser homossexual.

 

Assista ao vídeo que consagrou a vitória de Conchita Wurst no programa europeu.

 

Leia tudo sobre: Conchita WurstEurovisionDrag QueenLGBTEuropaRússiaRussospreconceito