Oito em cada dez brasileiros temem ser torturados pela polícia

Numa média global, 44% dos entrevistados disseram que não estão salvos da tortura caso forem detidos em seus países de origem; estudo divulgado pela Anistia Internacional

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Oito em cada dez brasileiros temem ser vítimas de tortura em caso de detenção por autoridades policiais. É o que aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (13) pela Anistia Internacional. O país lidera o ranking mundial neste quesito. O levantamento ouviu 21 mil pessoas em 21 países de todo o mundo e concluiu que os brasileiros são aqueles que mais temem serem torturados por forças policiais.

Numa média global, 44% dos entrevistados disseram que não estão salvos da tortura caso forem detidos em seus países de origem. Além do Brasil, o México (64%), a Turquia e o Paquistão (58%) completam o ranking dos três mais temerosos.

A divulgação desta pesquisa veio acompanhada da campanha "Stop Torture", que tem como objetivo chamar a atenção dos governos e mobilizar a população para pôr fim à tortura. O relatório da campanha cita alguns casos específicos de tortura e relembra o caso do pedreiro Amarildo, no Rio de Janeiro. "A investigação conduzida pelas autoridades concluiu que Amarildo morreu em consequência da tortura que ele foi submetido no prédio da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Rocinha depois de ser preso ilegalmente para averiguação", informou o relatório. Dois policiais, incluindo o comandante da UPP, foram indiciados e estão presos.

O relatório ainda disse que os relatos de abusos policiais cresceram durante a onda de protestos que atingiu o Brasil no ano passado. "O abuso das autoridades é uma rotina na política de segurança pública em países como Chile, México, Venezuela. No Brasil os relatos de abusos aumentaram durante os protestos [ em junho do ano passado] e também em ações militares em favelas de grandes cidades como no Rio de Janeiro".

Para a Anistia Internacional, os casos de tortura, principalmente em países das Américas, acontecem devido a deficiência do sistema judiciário que não punem como devem as pessoas envolvidas.

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