Testado e aprovado Mineirão está pronto

iG Minas Gerais | Victor Martins |

SECOPA/Divulgação
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Preparado. Nenhuma outra palavra define melhor o Mineirão para receber os seis jogos da Copa do Mundo que estão marcados para Belo Horizonte. Entre os 12 estádios brasileiros que vão receber as 64 partidas do Mundial, nenhum outro foi tão testado quanto o Mineirão. Especialmente no quesito importância, já que o palco de Minas Gerais recebeu no último ano três clássicos entre Atlético e Cruzeiro, uma final de Libertadores, três jogos da Copa das Confederações e partidas importantes do Campeonato Brasileiro.  

Se atualmente o Mineirão se encontra em excelente estado para receber torcedores de todo o mundo, o tempo foi determinante para isso. Na partida de reinauguração, em fevereiro do ano passado, o Cruzeiro recebeu o Atlético com quase 53 mil pagantes. Vários problemas foram encontrados por quem esteve presente, especialmente a falta de água para consumir, bares fechados e banheiros sem funcionar.

Com o passar do tempo e com mais jogos realizados, o Mineirão se acertou. O torcedor mineiro, especialmente os cruzeirenses, já estão acostumados a frequentar o novo espaço, tem familiaridade com acessos e números de portarias. Desde que foi reaberto, mais de 1 milhão de torcedores já pagaram ingresso para ver alguma partida no estádio.

O custo previsto para a reforma do Mineirão era de R$ 426 milhões, mas foram gastos R$ 695 milhões. De positivo, ficou o tempo das obras. A previsão de entrega do estádio era dezembro de 2012 e foi cumprida. Dois meses depois de finalizado, já eram disputados jogos no local. O novo Mineirão tem capacidade para 62.329 torcedores.

E os públicos nas seis partidas da Copa do Mundo vão ser perto ou superiores a 60 mil pagantes. Apenas um jogo não está com ingressos esgotados. Só é possível comprar entradas para o duelo entre Bélgica e Argélia, que está marcado para o dia 17 de junho. Ainda estão disponíveis entradas nos valores de R$ 270 e R$ 350, além de ingressos especiais para usuários de cadeira de rodas ou pessoas com mobilidade reduzida, que custam R$ 180.  

ESTÁDIO NACIONAL Apesar de Brasília não ter nenhum clube entre os principais do país, o estádio mais caro da Copa do Mundo é do Distrito Federal. Orçado em R$ 631 milhões, o Estádio Nacional custou R$ 1,6 bilhão. Mesmo sem ter um time local na Série A desde 2005 – o Brasiliense foi o último –, o antigo Mané Garrincha tem capacidade para 72.741 torcedores. Com um estádio tão grande e um público que não tem costume de ir ao campo, apenas uma das sete partidas prevista para o local está com os ingressos esgotados. Justamente o jogo do Brasil contra Camarões, no dia 23 de junho. Pelo menos no quesito teste, o Estádio Nacional está aprovado, já que recebeu diversos jogos oficiais, como alguns da Copa das Confederações e diversas partidas do Campeonato Brasileiro de 2013 e 2014.

MARACANÃ Para se igualar ao Azteca, na Cidade do México, como estádios que já receberam duas finais de Copa do Mundo, o Maracanã precisou passar por uma reforma que custou R$ 1,2 bilhão, sendo que a previsão era de R$ 900 milhões. As obras atrasaram seis meses, e o Maracanã foi entregue praticamente na hora de receber os jogos pela Copa das Confederações. Mas, para a Copa do Mundo, o ex-maior do mundo (a capacidade atual é 78.448 pessoas) está aprovado, pois recebeu grandes jogos desde então, inclusive uma final de Copa do Brasil. Para os sete jogos marcados para o Rio de Janeiro, apenas dois não estão com ingressos esgotados; mesmo assim, restam apenas poucas entradas especiais para os duelos Bélgica x Rússia e Equador x França.  

ARENA PANTANAL Cuiabá é mais uma cidade sem representatividade no cenário nacional quando o assunto é futebol. Apesar disso, está na Copa do Mundo, e por um alto preço. Em vez dos R$ 342 milhões previstos pelo governo do Mato Grosso, foram desembolsados R$ 570 milhões. Tudo isso para receber quatro partidas, todas da primeira fase. Apesar do alto investimento, ainda há entradas para todos os jogos em Cuiabá. Um deles, Nigéria x Bósnia, no 21 de junho, é o de menor procura de todo o Mundial. E o estádio ainda registrou a morte de um operário, de 32 anos, no dia 8 de maio – ele foi eletrocutado quando instalava luminárias na arena. Caro e sem ser testado, a conclusão da obra aconteceu um ano e quatro meses depois do previsto. Até a Copa, a Arena Pantanal vai receber cinco partidas, mas apenas duas com capacidade total (44.335 lugares), o jogo Santos x Atlético, pelo Brasileirão, e um amistoso entre a seleção do Mato Grosso com o Olímpia, do Paraguai.

ARENA DAS DUNAS A capacidade da Arena das Dunas é de 44.070 pessoas, mas, em 19 partidas já realizadas no estádio de Natal, desde que foi reaberto, em janeiro (um ano de atraso), nenhum público chegou perto disso. Porém, no Mundial a situação é bem diferente. Não há mais ingressos para dois dos quatro jogos. A dúvida fica quanto ao funcionamento com casa cheia, o que ainda não aconteceu na Arena das Dunas, nem mesmo no clássico entre América-RN e ABC.

ARENA AMAZÔNIA A Arena Amazônia chama a atenção pela beleza, mas também por ter custado tão caro para uma cidade sem tradição de futebol. Sem um time na elite desde 1986, foram gastos R$ 757 milhões na reforma. Para as quatro partidas que sediará na Copa, a arena tem capacidade para 44.351 torcedores, mas apenas Inglaterra x Itália tem ingressos esgotados. Poucos jogos foram realizados na Arena Amazônia até agora, devido ao atraso de mais de um ano na entrega.

ESTÁDIO BEIRA-RIO Percentualmente, foi o segundo estádio que mais se encareceu durante as obras, saltando de R$ 130 milhões para R$ 330 milhões. Pior para o Internacional e para a sua torcida. A promessa era que o estádio ficasse pronto em agosto de 2012, mas só foi concluído em abril passado. O novo Beira-Rio já recebeu jogos do Campeonato Gaúcho, um amistoso de inauguração e uma partida do Brasileirão. Pouco, mas o suficiente para mostrar que dentro está tudo pronto. No entanto, o entorno do estádio preocupa, e muito, já que as obras necessárias vão ficar prontas somente depois da Copa do Mundo.

ARENA FONTE NOVA A Copa do Mundo para Salvador começa simplesmente com um clássico, Espanha x Holanda, um repeteco da final do Mundial de 2010. Depois é a vez de Alemanha x Portugal, até agora a única partida na Fonte Nova com entradas esgotadas, para o estádio com capacidade para 54.610 torcedores. Mas, para receber esses dois grandes jogos e outras quatro partidas, o governo da Bahia teve que gastar R$ 690 milhões, R$ 100 milhões a mais do que estava previsto. Por conta do atraso nas obras, de quase cinco meses, a Fonte Nova quase ficou fora da Copa das Confederações. Mas tudo correu bem, e o estádio recebeu as partidas marcadas. Depois disso, já sediou diversos jogos do Brasileirão, da Copa do Brasil e de competições locais.

ARENA PERNAMBUCO Longe da capital e com o Náutico em fase ruim, a Arena Pernambuco só teve grandes públicos nas partidas que sediou na Copa das Confederações. Apesar do atraso em quatro meses, o local não teve problemas para receber a competição da Fifa no ano passado. Como nas demais arenas, as obras ficaram mais caras do que o previsto. O custo subiu de R$ 491 milhões para R$ 650 milhões. Das cinco partidas marcadas para o estádio, apenas uma, entre Croácia e México, que é pelo grupo do Brasil, está com as entradas esgotadas. Ainda é possível encontrar ingressos para um dos 45.425 lugares da Arena Pernambuco para as demais partidas do Mundial.

ARENA DA BAIXADA O jogo entre Irã e Nigéria, pelo grupo F, no dia 16 de junho, vai ser o primeiro oficial da Arena da Baixada depois da reforma. Isso mostra como se atrasaram (em mais de um ano) as obras no estádio escolhido para sediar as quatro partidas de Copa do Mundo que vão ser disputadas em Curitiba. Então estádio mais moderno do Brasil, a Arena da Baixada precisaria de poucos ajustes para se adequar aos pedidos da Fifa. Assim, as obras foram orçadas em R$ 184 milhões, em 2010. Mas quatro anos depois, com o estádio ainda inacabado, o valor já beira os R$ 330 milhões. Um evento-teste, para dez mil pessoas, já foi realizado, mas sem cobertura da imprensa, já que o local destinados aos profissionais da mídia ainda não estava pronto. A capacidade total é de 42.247 pessoas.

CASTELÃO O Castelão foi o primeiro estádio reformado ou construído para a Copa do Mundo a ser entregue e a receber uma partida oficial. No fim de janeiro de 2012, o Ceará recebeu o Bahia, pela Copa do Nordeste, e foi derrotado pelos visitantes. O gol foi de Kléberson, campeão da Copa do Mundo em 2002. Depois disso, o Castelão recebeu jogos da Copa das Confederações, dos campeonatos locais, da Série B e da Série C. Com capacidade para 63.819 pessoas, apenas um dos seis jogos marcados está com entradas esgotadas: Brasil x México, no dia 17 junho. Brasileiros e mexicanos já se enfrentaram no Castelão, pela Copa das Confederações, e o Brasil venceu por 2 a 1, com gols de Neymar e Jô.

ARENA CORINTHIANS É o estádio que vai receber o primeiro jogo da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia, mas não está pronto ainda. O Itaquerão, ou Arena de São Paulo, como é chamado pela Fifa, é o único que tem carga de entradas esgotada. Não é possível mais comprar ingressos para nenhum dos seis jogos marcados para São Paulo. O atraso nas obras tem tirado o sono dos dirigentes da Fifa, já que o Itaquerão era para ser entregue em dezembro de 2013, mas segue em obras. O custo atual já superou a casa de R$ 1 bilhão, podendo ficar ainda maior. Outro número que segue indefinido é quanto à capacidade do novo estádio do Corinthians. Como nem todas as cadeiras foram instaladas, pode ser que mais alguns ingressos sejam disponibilizados para os torcedores. Somente faltando alguns dias para o começo do Mundial é que esse número vai ser divulgado pelos gestores do estádio.

 

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