Olhos dentro e fora de campo

iG Minas Gerais |

Pela primeira vez, o brasileiro chega tão dividido a uma Copa do Mundo. A um mês do início do torneio, justamente no Mundial realizado no país, a “pátria de chuteiras” tirou o olhar exclusivo para a bola e resolveu questionar o seu redor. Vai ter Copa, mas também haverá protesto. Afinal de contas, o futebol não é mais capaz de aplacar um país tão desigual, tão cheio de contrastes. O povo parece estar cansado de promessas irrealizáveis, de ações eleitoreiras, de discurso vazio.

De olho dentro e fora de campo, O TEMPO inicia a partir de hoje seu caderno diário sobre a Copa do Mundo no Brasil. Faltando 30 dias para a bola rolar, muita coisa ainda não está pronta e nem ficará até o início do Mundial. Apesar de ser considerada uma das cidades mais adiantadas no quesito obras, Belo Horizonte, como mostra a nossa reportagem em um raio X feito por toda a capital, receberá os turistas com uma série de pendências. O aeroporto de Confins ainda é um imenso canteiro de obras, e pairam dúvidas se, passado o torneio, todo o projeto de ampliação será realmente concluído.

Quem sonhava com o metrô ligando o centro ou a Savassi à Pampulha, terá de se contentar com o sistema de ônibus articulados do BRT, batizado de Move e com corredores exclusivos nas avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Cristiano Machado. Os hotéis se tornaram outra ilusão. A maior parte dos empreendimentos (75%) não saiu do papel porque as obras estão atrasadas ou porque os investidores desistiram do negócio.

Mas nem tudo são más notícias. O Mundial forçou a cidade a se repensar. E, mesmo longe do anunciando, teremos, sim, um legado. O novo Mineirão já se confirmou como palco moderno com capacidade para eventos internacionais não só do esporte, como também megashows. No rastro do Gigante da Pampulha, a nova arena Independência se renovou transformando-se em importante espaço de entretenimento.

A estrutura dos clubes mineiros também é um ponto positivo. Os centros de treinamento de Atlético e Cruzeiro vão hospedar, durante a Copa, Argentina e Chile, respectivamente. Além disso, Minas ainda receberá o Uruguai, em Sete Lagoas.

A capital mineira sediará quatro jogos da fase de grupos e depois uma partida das oitavas de final, com possibilidade de receber o Brasil e ainda um outro na semifinal. Ou seja, preparada ou não, a cidade terá uma visibilidade turística e econômica jamais imaginada. Será uma chance para mostrar o potencial de Belo Horizonte, mas, da mesma forma, suas fragilidades ficarão mais expostas aos turistas e à atenta imprensa internacional.

O ganho real da cidade, assim como de outras sedes às vésperas da Copa, é a discussão sobre quais são as prioridades da população e por que elas são deixadas de lado ou só lembradas em momentos de eleição ou grandes eventos. Com ou sem o Mundial, é inadiável o debate sobre a qualidade de vida dos centros urbanos do país. Transporte público, infraestrutura, segurança pública devem ser investimentos permanentes. Essa reflexão é, sem dúvida, o maior legado da Copa no Brasil.

Assim como ocorre entre as quatro linhas, fora dos estádios também o resultado ainda é incerto, e o Brasil irá tirar lições das vitórias e derrotas acumuladas ao longo do torneio. Não há mais volta, vai ter Copa. A sorte está lançada.

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