Técnica de BH vai proteger voos brasileiros durante a Copa

Na Pampulha, uso das aves de rapina reduziu os acidentes em 75% desde 2005

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Proteção aérea. 
Estudante de biologia Camila Ramos, 25, segura um falcão de coleira, que contribui para segurança de aeroporto de BH
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Proteção aérea. Estudante de biologia Camila Ramos, 25, segura um falcão de coleira, que contribui para segurança de aeroporto de BH

A falcoaria é uma ciência e uma arte com mais de 3.000 anos de existência e é frequentemente associada a cavaleiros e contextos medievais. Com o aumento do fluxo de aeronaves no céu brasileiro e os quase 2.000 voos extras autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), porém, a prática é mais contemporânea do que nunca.  

No país, os aeroportos internacionais de Confins, Porto Alegre e do Rio de Janeiro, além do aeroporto de Vitória e o da Pampulha, já utilizam a técnica para a redução de colisões de pássaros com aeronaves. No aeroporto da Pampulha, pioneiro na técnica, a falcoaria foi responsável por uma queda de 75% no índice de colisões entre aves e aeronaves nos últimos sete anos.

“Antes de 2005, tínhamos uma média de 40 acidentes desse tipo por ano. No ano passado, tivemos somente dez. Some-se a isso o aumento do número de voos nesses anos, e vemos que essa queda foi ainda maior”, declara o coordenador de segurança operacional do aeroporto, Gerson Evangelista da Silva.

A iniciativa deu tão certo aqui que a equipe da Pampulha é tida como referência no assunto e treina pessoal de outros aeroportos. “Em junho de 2013, tivemos um evento nacional que contou com a participação de membros de todos os aeroportos da rede Infraero”, conta.

Atualmente, a equipe responsável pelas aves no aeroporto da Pampulha é formada por um biólogo, um falcoeiro, também formado em biologia, e uma estudante de biologia com experiência em manejo de animais silvestres. Os três cuidam de seis aves de rapina, além dos animais capturados por elas, que passam por uma quarentena antes de serem novamente soltas na natureza.

Método. “Nosso principal trabalho aqui é espantar aves que apresentem risco a aeronaves. Em alguns casos, ocorre a captura de um pássaro”, conta Jaime Martins, coordenador da equipe de controle de fauna do aeroporto. Como na natureza, as aves caçam outros pássaros nas imediações das cabeceiras das pistas. Mas, ao contrário do que acontece no mundo natural, em vez de comer a presa, as aves são treinadas para segurá-las no chão. Um dos membros da equipe, então, vai até a ave, resgata a presa e premia a ave com uma recompensa. “São aves carnívoras. Por isso, sempre damos um pedacinho de carne”, diz Martins.

Todos os dias, os pássaros do plantel do aeroporto passam por uma pesagem. As que estiverem dentro da faixa ideal de peso são levadas para a pista e, junto com o falcoeiro Güydo Horta fazem a ronda para identificar possíveis situações de perigo.

Paixão. Apesar de ter somente 25 anos, Horta já tem cerca de 12 anos de experiência com aves de rapina. “Sou fascinado por esses bichos. Acho que desde os meus 13 anos que eu não tenho nenhuma foto sem uma ave junto. Hoje em dia, chego a levar algumas aves para casa. Durmo com elas e acordo com elas”, revela.

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