Meio século de sabedoria poética

Poeta Geraldo Holanda fala sobre traduções literárias na capital

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Geraldo Holanda é o atual presidente da Academia Brasileira de Letras
abl/divulgação
Geraldo Holanda é o atual presidente da Academia Brasileira de Letras

Quando o assunto é poesia, o contista, ensaísta e atual presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Geraldo Holanda Cavalcanti, 85, sabe que para um poema ser lembrado é preciso mais do que uma boa rima entre estrofes. “A poesia precisa tocar você. Por isso é tão difícil traduzir um autor estrangeiro e passar a mesma emoção que ele intuiu, não basta apenas rimar”, diz. Com mais de 50 anos dedicados à tradução, escrita e análise da poesia nacional e estrangeira, o poeta pernambucano vai falar esta noite sobre seu ofício de tradutor, como convidado da Academia Mineira de Letras (AML), dentro do projeto O Autor na Academia.

Diplomata de carreira, o poeta representou o Brasil em países como Holanda, Estados Unidos, Suíça, União Soviética, Japão e Alemanha, entre os anos 1960 e 1990, quando teve contato com diversas línguas e culturas. “Conheci poesia e literatura feitas no mundo todo por causa do meu trabalho. Li Shakespeare original na Inglaterra, aprendi que cada língua tinha particularidades para lidar com o lirismo e a poesia e isso foi me fascinando”, avalia.

Mesmo escrevendo poesia desde os oito anos de idade, ele só conseguiu iniciar uma carreira literária com afinco no fim da década de 90, após se aposentar como diplomata e ter sido destaque ao vencer o Prêmio Fernando Pessoa por sua coletânea “Poesia Reunida” (1998), abertamente inspirada no lirismo de Guimarães Rosa. Porém, como bom poliglota, ele foi pioneiro em traduzir autores inéditos para a língua portuguesa, como Salvatore Quasimodo, Eugenio Montale e Alvaro Mutis, além de ser o responsável pela tradução da principal obra poética italiana, “A Alegria”, um clássico de Giuseppe Ungaretti.

No ano passado, o poeta pernambucano lançou seu livro mais recente, que reúne anotações e pensamentos de 50 anos de experiências poéticas. Longe de ser um manual para jovens escritores, “Herança de Apolo” (Editora Record), se concentra em contar memórias literárias do autor, além de suas observações sobre quais caminhos a poesia precisa seguir para existir de forma espontânea e transformadora. “O livro aborda basicamente um apanhado sobre a condição do poeta e sua relação com as linguagens musicais, sua sabedoria filosófica, sua percepção e influência religiosa etc. Mostro o poeta como uma alma que não se permite ser medíocre – em nenhuma hipótese – justamente porque precisa encantar as outras almas do mundo”, conclui.

Agenda

O quê. Projeto Autor na Academia recebe o poeta Geraldo Holanda Cavalcanti

Onde. Academia Mineira de Letras (rua da Bahia, 1.466, centro)

Quando. Hoje, às 19h

Quando. Entrada gratuita

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