Hotéis vazios após a Copa

Pesquisa indica ocupação média de até 48% em 2015; setor cobra mais eventos na capital

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Oferta. Copa do Mundo atraiu investimentos para a rede hoteleira de Belo Horizonte e região
LEO FONTES / O TEMPO
Oferta. Copa do Mundo atraiu investimentos para a rede hoteleira de Belo Horizonte e região

Belo Horizonte terá uma superoferta de hotéis no próximo ano, segundo o Placar da Hotelaria, termômetro de mercado desenvolvido pela empresa Hotel Invest. Entre as capitais analisadas, a cidade aparece como a que tem maior problema. A culpa, conforme a pesquisa referente ao quarto trimestre do ano passado, é da entrada de novos hotéis em operação sem que a demanda acompanhe na mesma medida. O problema deverá se acentuar ao longo deste ano e atingir seu ápice em 2015.  

De acordo com a Hotel Invest, a entrada de 6.000 novos quartos no mercado de Belo Horizonte entre 2014 e 2015, por causa da Copa, deverá derrubar a ocupação média da capital mineira para algo entre 40% e 48% no ano que vem, índice abaixo do considerado ideal pelo mercado, de 65%.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), Patrícia Coutinho, afirma que, se nada for feito para atrair mais eventos para a cidade, o recuo previsto pelo levantamento é possível de acontecer. “Já não estamos numa situação confortável. Neste ano, por causa da Copa, os eventos deixaram de vir para a cidade. A média da ocupação de janeiro a abril foi de 57%”, diz. Ela afirma que a capital estava precisando de mais hotéis, só que houve uma certa euforia, o que fez com que vários empreendimentos fossem lançados no mercado. “Só em abril, seis hotéis iniciaram suas atividades em Belo Horizonte”, diz.

A Lei 9.952, de 2010, conhecida como Lei da Copa, estimulou o setor, pois flexibilizou a lei de uso e ocupação do solo e aumentou o potencial construtivo das obras. A dirigente conta que tem receio de que logo depois da Copa aconteça uma guerra tarifária, já que a concorrência aumentou na cidade.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb), Paulo Pedrosa, também aposta numa guerra de diárias pós- Copa, se a cidade não atrair mais eventos. “Houve realmente um pouco de exagero na construção de hotéis na capital, só que não adianta lamentar. Precisamos agora de soluções”, diz. O dirigente afirma que a ocupação pode cair, mas disse não acreditar na estimativa de 40% a 48% do levantamento da Hotel Invest para o próximo ano. “Não vamos ficar abaixo dos 50%”, frisa. Segundo estimativas de Pedrosa, hoje, a capital tem cerca de 8.000 quartos ainda disponíveis para a Copa. São cerca de 22 mil leitos, considerando hotéis de todas as categorias. Até 2010, os quartos variavam de 10 mil a 12 mil.

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