A vida nas miudezas e no lixo

Orsini chega à cidade para apresentar seu trabalho com as marionetes que fazem dele um dos melhores do mundo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Memória. “As Rosa do Jardim de Zula” se apresenta hoje e amanhã e versa sobre histórias familiares
vagner antonio/divulgação
Memória. “As Rosa do Jardim de Zula” se apresenta hoje e amanhã e versa sobre histórias familiares

O teatro de bonecos, marionetes ou de animação é uma das boas oportunidades para aqueles que querem acompanhar a programação do Festival Internacional de Teatro (FIT-BH) hoje. “Orsini Marionetes” começa suas apresentações hoje, na Casa do Beco, próxima à barragem Santa Lúcia. A atração corrobora dois desejos da curadoria e da atual coordenação do FIT: apresentar um leque diverso de atrações de várias linguagens e seguir a descentralização proposta em edições anteriores.

Rubén Orsini empresta seu sobrenome à companhia com a qual ele, em trabalho solo, desenvolve um delicado trabalho com de marionetes.

Embora a cena seja tomada pelos bonecos desenvolvidos e manipulados por ele, Orsini não faz questão de se esconder e forjar um jogo no qual seus “atores” estabelecem um jogo ilusório com a plateia, como se vê em outros espetáculos de teatro de animação em que aquelas figuras parecem ter vida própria, pairam no palco como em um história fantástica. “Não preciso ocultar que estou em cena. É importante que as pessoas prestem atenção na história que estamos contando, isso é o mais relevante”, afirma Orsini

Como uma espécie de Frankenstein moderno, o artista recolhe seu material e faz um mosaico a partir deles. O marionetista dá vida a vários personagens. O trabalho é sustentado por objetos feitos de resíduos coletados na rua que voltam à vida em oito histórias, que resgatam a beleza no terrível, em uma tentativa de se conectar com os sentimentos do mundo humano. “Busco ressignificar os objetos: tira-los de seu uso diário e transformar em algo novo. Na verdade, não me interessa se eles foram jogados no lixo ou não”, revela.

“Orsini Marionetes” é, assim, uma antologia de breves momentos em que pequenas criaturas são manipuladas para refletir sobre situações instantâneas de rua. Sem nenhuma fala, a trama é costurada pela música, que vai dos clássicos de Beethoven ao rock do Kraftwerk.

O trabalho do artista argentino é exaltado por sua sutileza em alguns momentos e também pela força de desenvolver personagens sombrios. Não à toa, Orsini é considerado um dos marionetistas mais respeitados do mundo, na atualidade. “Esse trabalho é de 2004 e passamos por vários países. Acredito que essa questão dos objetos que leva a pensar na pobreza traz uma consciência social à peça. Independente daquela realidade ser vivida, mais ou menos, nesses países”, comenta ele.

Em sua página oficial (www.rubenorsini.com.ar), o artista diz que suas propostas se sustentam “em um mundo de objetos pequenos, resíduos da rua cuja insignificância os faz imperceptíveis. Esses mesmos objetos – sobras de um passado, foram tocados, apertados, ungidos e produzidos – voltam à vida através do talento de seu criador, que com seu trabalho longe de convenções formais, consegue que suas marionetes se conectem com algo do mundos dos humanos”.

Internacional

Hoje. No Teatro Marília, às 16h, será lançado o programa Intercena, que pretende viabilizar a realização de coproduções internacionais para participação de artistas locais em festivais e programação fora de BH.

Abrangência. A iniciativa terá participação de 20 programadores de festivais. Os 44 artistas locais inscritos, sendo 25 da mostra do FIT, farão parte do Guia Intercena, que será entregue aos programadores.

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