Para lideranças, falta de estrutura culmina em violência

iG Minas Gerais | Pedro Vaz Perez |

A área composta pelos bairros Taquaril, Alto Vera Cruz, Granja de Freitas e Castanheiras, na região Leste da capital, tem sentido a escalada da violência. Desde 2004, a região possui uma unidade do programa Fica Vivo. Apesar disso, quatro líderes comunitários ouvidos pela reportagem afirmam que o número de homicídios nesses locais tem aumentado nos últimos anos.  

O rapper e educador Júnio Marques, 35, que foi oficineiro do programa por três anos, avalia que, nos últimos dois, os homicídios têm se tornado cada vez mais frequentes. “Só no último fim de semana, pelo menos três jovens foram assassinados no Alto Vera Cruz. O aumento na criminalidade é gritante”, avalia.

Segundo ele, hoje não se vê nenhum jovem com a camisa do Fica Vivo. “Não tem mais aquele envolvimento do início, há um desânimo. Não vi nenhum menino da oficina de futebol ou de arte ir jogar em time grande ou ganhar dinheiro como profissional. Querem ocupar o dia a dia do jovem, mas sem desenvolver seu protagonismo”.

Já o líder comunitário do Granja de Freitas, Wilson Wagner Brandão, 33, relata que, somente em fevereiro último, foram 15 homicídios na região. Atualmente, ele ministra duas oficinas no Fica Vivo e reclama da falta de estrutura. “Recebo R$ 950 mensais por oficina. Mas preciso arcar com aluguel do espaço, lanche para os meninos e todo o material que utilizo. Sobra pouco menos de R$ 400. Por isso, muitos oficineiros acabam desanimando ou simplesmente não se empenham. Fora das oficinas, é difícil vê-los na comunidade”, diz. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave