“A epidemia de obesidade tem aumentado os riscos da TVP”

Francesco Botelho Angiologista e cirurgião vascular Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (regional Minas gerais)

iG Minas Gerais | litza mattos |

O perfil dos pacientes com trombose tem mudado?  

Sim. Essa epidemia de obesidade que hoje acomete a população está aumentando os riscos da trombose venosa profunda (TVP) cada vez mais em jovens. A incidência aumenta ainda mais quando associado ao tabagismo e ao sedentarismo e nas mulheres com o uso de anticoncepcional oral associado à predisposição. Esses (obesidade, tabagismo e sedentarismo) são os três principais hábitos que podem levar a trombose ou prejudicam a circulação, mas agir profilaticamente também é possível e envolve desde a movimentação ativa, ao uso de compressão elástica, passando até pela terapia medicamentosa.

Quais os maiores desafios para conter o avanço da doença?

Os maiores desafio são em relação aos avanços no tratamento. E o maior avanço que existe hoje é a tentativa de dissolução precoce dos coágulos situados nas veias de maior calibre.

O que há de mais avançado no mundo para o tratamento da trombose hoje?

Os maiores avanços estão hoje na área da cirurgia, onde houve grande desenvolvimento das técnicas de cirurgia endovascular – que são intervenções na circulação, feitas através de pequenos cortes na região da virilha, cujas intervenções são feitas por cateteres. Intervir para a dissolução precoce do trombo é fundamental porque pode ter implicações futuras para o paciente, mas se consegue dissolver precocemente menor será o dano nas válvulas e no funcionamento dos vasos, e os pacientes terão menos sequelas a longo prazo.

Quais as dificuldades para o diagnóstico precoce da doença?

O diagnóstico irá depender das manifestações clínicas da doença que podem estar presentes ou não de acordo com as condições do paciente. Naquele que não está em ambiente hospitalar, o diagnóstico é mais fácil porque as manifestações aparecem mais nitidamente (principalmente inchaço na perna e a dor nos membros inferiores, geralmente o local mais comum). Já no paciente acamado, imobilizado, é mais difícil, pois é preciso de um alto grau de conhecimento por parte do médico. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave