Vai faltar dinheiro para investir em ferrovias neste ano

Governo queria começar os leilões ainda em 2014

iG Minas Gerais |

Potencial. Para o governo, poucas empresas do país têm condições de investir em ferrovias
LEO FONTES / O TEMPO - 17/11/09
Potencial. Para o governo, poucas empresas do país têm condições de investir em ferrovias

Brasília. Depois da onda de concessões na área de infraestrutura, a capacidade das construtoras de assumir novos compromissos está próxima do limite. Essa é a avaliação que corre na Esplanada dos Ministérios. Por isso, há dúvidas quanto ao apetite delas para as concessões em ferrovias – que o governo gostaria de iniciar ainda este ano. “Os investimentos dessa nova etapa são pesados e de curto prazo”, disse o ministro dos Transportes, César Borges. “Isso é um limitador do processo de licitação”, acrescentou.

Ele avaliou que há no país de seis a oito empresas com condições de assumir concessões em rodovias. Para ferrovias, que são negócios mais complexos, o número de potenciais candidatos é ainda menor. O processo é dificultado, ainda, pois as maiores empreiteiras já assumiram compromissos de porte, como aeroportos e rodovias. Há pelo menos um sinal de que os prazos curtos dados pelo governo e os elevados investimentos podem representar um problema para o cumprimento dos contratos.

Consultados, grandes construtoras e o Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada (Sinicon) não quiseram comentar. Mas, sob a condição de anonimato, um executivo admitiu que as empresas já estariam com sua capacidade esgotada, se o governo não houvesse optado, nas concessões já realizadas, por um modelo de financiamento em que a própria concessão serve de garantia ao empréstimo (project finance). Se as construtoras tivessem de dar garantias corporativas ou pessoais para levantar os recursos, teriam batido no teto.

Como existe o project finance, ainda há espaço para outros empreendimentos, desde que o negócio ofereça pouco risco. Esse executivo confirma a avaliação do ministro sobre o número limitado de “players” nas concessões em infraestrutura e diz que uma solução seria reduzir o tamanho dos empreendimentos, abrindo espaço para construtoras de médio porte. Isso vem sendo feito na nova leva de concessão de rodovias, cujos leilões ainda devem demorar de um a dois anos.

Investimento

Trechos. O trecho que deve ser licitado vai de Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO), tem mais de 800 km e o investimento previsto é elevado: de R$ 5,4 bilhões a R$ 6,5 bilhões.  

Limitação vai de brita a engenheiro Brasília. A limitação da capacidade de endividamento das empreiteiras não é o único limitador para a implantação do programa de concessões de ferrovias no curto prazo, alerta um técnico do governo. Com rodovias, ferrovias e aeroportos em construção, as empresas podem se deparar com falta de brita, de engenheiros, de pedreiros. “É o que acontece quando se tenta recuperar o atraso de 30 anos em dois”, disse ele, que preferiu não ser identificado.

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