Cozida em fogo brando II

iG Minas Gerais |

A presidente Dilma Rousseff entrará para a história do Brasil como a primeira mulher que chegou ao comando da nação, especialmente tendo disputado a Presidência como seu único desafio eleitoral. Na sua trajetória, Dilma inovou ainda por conseguir ser o nome querido do PT e de Lula sem ter traquejo político e ostentar uma postura que os mais gentis sempre definiram como grosseira, inábil, arrogante e prepotente. Esse perfil desencorajador para qualquer mortal que desejasse êxito como candidato a um mandato popular foi ampliado por Dilma no exercício da Presidência, e agravado pelos pífios resultados de seu governo. O PAC, do qual Dilma se investiu como dona, gerente, mãe e outros títulos que ao marketing eleitoral interessava propagar, tem números vergonhosos quando avaliado na sua realidade. Não foi falta de recursos, de projetos, de demandas que frustrou sua realização; faltou gestão, exatamente a qualidade que quiseram pregar em Dilma como seu principal diferencial. A economia tem resultados que todos os dias se esforça o ministro Guido Mantega para disfarçar: juros altos, bancos com lucros criminosos num país de ampla miséria, inflação a solta e uma carga tributária burra, porque desencoraja empreendedores e constrange empreendimentos. Temos um quadro esmaecido de política externa, sem qualquer expressão e assim incapaz de fazer o Brasil se apresentar como confiável para novos investimentos. Produção em queda, a confiança da nação no chão. As negociatas denunciadas na Petrobras, a relação atropelada com o Congresso. São fraturas expostas impossíveis de serem reparadas. Não há mais tempo. Dilma não tem para onde se virar sem ser afrontada e nunca se viu na história deste país tão densa e alinhada reação, de todos os segmentos nacionais, especialmente da imprensa, para criticar sua obra. A ‘presidenta’ começa a sentir desenhada a triste situação de quem vê seu poder sendo desidratado. Essa realidade fez surgir o Volta, Lula, na esperança de que, enquanto há tempo, que se percam os dedos, mas não se perca o poder. O fogo amigo está sendo abastecido dentro do próprio PT e entre aliados, como única possibilidade de que essa próxima eleição não tenha segundo turno, com seus riscos. A cinco meses da eleição, Dilma vê seus índices de aceitação descerem ladeira abaixo, comprometendo a obra do partido que a escolheu para ser presidente. No PT nacional, o sentimento é o de que ainda não se tem como certo o momento para desalojar Dilma da candidatura. Há incertezas quanto aos resultados do malsinado projeto Copa do Mundo, das já aguardadas manifestações populares e de como o partido verá comprometido seu prestígio e seu poder de reação. Mais cedo ou mais tarde, é o nome de Lula que será apresentado como aquele que a oposição enfrentará nas urnas. Façam suas apostas.

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